Amostra de cipó do Acre vira mistério a ser desvendado na genética

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O cipó-mariri, cientificamente chamado de Banisteriopsis Caapi, é uma planta nativa da floresta Amazônia. Há muito tempo, essa planta, juntamente com a árvore Chacrona (Psychotria viridis), é utilizada por povos da região amazônica em rituais religiosos cristãos e de cura, fazendo parte de suas culturas.

A planta é utilizadas pelo Centro Espírita Beneficente União do Vegetal na preparação do Chá Hoasca, que seus sócios bebem para efeito de concentração mental. E também no Santo Daime para a promoção de experiências de âmbito espiritual.

Geralmente, seus membros cultivam a planta. Esse conhecimento tradicional produz mais de uma espécie do cipó, que foi objeto de estudo de uma pesquisa científica, que propõe desvendar questões ligadas ao código genético para identificar as variantes de espécie da planta. 

Detalhe da variedade caupuri do cipó-mariri, usado para fazer ayahuasca – Reprodução do artigo Luz et al. 2022 https://doi.org/10.1007/s10722-022-01522-3

A pesquisa recebeu financiamento e conseguiu reunir mais de 120 amostras do cipó, de estados como o Acre, Amazonas, Pará e Rondônia. O artigo conseguiu a separação por grupos e a identificação (como uma forma de catalogação), do DNA que formam o cipó-mariri. 

Após identificadas corretamente, uma das pesquisadoras envolvidas diz que isso possibilita a correta conservação. Com o desdobramento da descoberta correta, essas medidas de conservação podem ser devidamente efetivadas. 

As variedades provocam diferentes reações em razão dos psicoativos e isso poderia trazer uma diferença em estudos clínicos. Em entrevista à Folha de S.Paulo, a orientadora da pesquisa, Jacqueline Batista, disse que “apenas começamos a desvendar os mistérios”.

Até o momento não havia nenhuma pesquisa nesse sentido de explorar essas plantas que integram o bioma amazônico e fazem parte dessas religiões. As pesquisadoras ainda endossam que planejam gerar informações inéditas com esse trabalho e reiteram que o conhecimento científico e tradicional não precisam entrar em conflito e podem coexistir.

“Foi um ponto de partida interessante confirmar o que fenotipicamente se conhecia. Precisamos de mais estudos e informações para definir, lá na frente, se são espécies diferentes ou não.”

Embora os membros de religiões ayahuasqueiras reconheçam efeitos psicoativos ligeiramente diferentes ao ingerirem o chá com diferentes etnovariedades do cipó-mariri, até hoje ninguém tinha estudado se haveria alguma diversidade genética entre essas linhagens, observa Francisco Prosdocimi, biólogo do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, da UFRJ, comentando o trabalho no Inpa.

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