Alta de casos respiratórios preocupa autoridades e coloca sistema de saúde em alerta no Vale do Juruá

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O avanço expressivo de casos de doenças respiratórias no Vale do Juruá tem mobilizado autoridades de saúde e acendido um sinal de alerta, principalmente em Cruzeiro do Sul e municípios vizinhos. Diante do aumento das internações e da pressão enfrentada pelas unidades hospitalares, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre intensificou medidas emergenciais para conter o avanço da situação.

Ainda no dia 25 de maio, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre emitiu o Alerta Epidemiológico nº 02/2026 após identificar um cenário considerado atípico no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), acompanhado da alta ocupação de leitos de UTI pediátrica e aumento no índice de mortalidade entre crianças.

Dias depois, em 3 de junho, o Governo do Acre oficializou decreto de emergência em saúde pública devido à superlotação das unidades estaduais, consequência direta do crescimento acelerado de casos de síndrome gripal e quadros mais graves relacionados a complicações respiratórias.

Na Regional de Saúde do Juruá e Tarauacá/Envira, os dados também demonstram aumento expressivo no número de atendimentos, especialmente em municípios como Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves. Diferentemente do início do ano, quando crianças representavam a maior parte das internações, agora os idosos têm sido os pacientes mais afetados por complicações como pneumonia.

A situação também tem impactado diretamente o funcionamento do Hospital Regional do Juruá, cuja Unidade de Terapia Intensiva vem registrando episódios frequentes de ocupação máxima. Apesar disso, autoridades reforçam que nem todos os pacientes internados em estado grave estão relacionados aos casos de SRAG.

Exames laboratoriais realizados em pacientes atendidos tanto na UPA quanto no hospital regional identificaram circulação predominante de vírus como o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), rinovírus e Influenza A, apontando quais agentes estão por trás do aumento dos quadros respiratórios observados nas últimas semanas.

Segundo a coordenação regional de saúde, liderada por Iglê Monte, a rede estadual vem adotando uma série de medidas para garantir assistência à população. Entre as ações já em andamento estão o reforço no atendimento clínico, disponibilização de medicamentos, regulação de pacientes para unidades de referência, intensificação da vigilância epidemiológica e criação de uma sala regional de monitoramento específica para acompanhar os casos de SRAG.

Além das medidas imediatas, a secretaria também trabalha em novas estratégias para ampliar a resposta durante o período crítico. O planejamento inclui apoio direto aos municípios caso seja necessário, reforço no estoque de medicamentos antivirais como o Tamiflu, fortalecimento dos núcleos hospitalares de epidemiologia e ampliação da coleta de exames laboratoriais para identificar os vírus em circulação.

Parte dessas análises será realizada pelo laboratório regional LAFRON Juruá, enquanto exames complementares poderão ser encaminhados ao LACEN Acre.

Diante do cenário, a SESACRE reforçou orientações à população, recomendando manter a vacinação contra influenza em dia, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Gestantes também foram orientadas a receber a vacina contra o VSR a partir da 28ª semana de gestação.

Entre outras recomendações estão o uso de máscaras ao apresentar sintomas gripais ou ao frequentar unidades de saúde, evitar ambientes fechados sem ventilação, permanecer em casa durante o período de sintomas, higienizar objetos de uso frequente e procurar atendimento imediato em casos de dificuldade respiratória, febre persistente ou sinais de agravamento.

Profissionais da saúde também receberam orientações específicas, incluindo uso rigoroso de equipamentos de proteção individual, isolamento precoce de pacientes com sintomas respiratórios e notificação obrigatória dos casos graves dentro dos sistemas oficiais de monitoramento.

Com o aumento da circulação viral e a pressão crescente sobre a rede pública, autoridades reforçam que a colaboração da população será fundamental para evitar novas internações e reduzir o risco de agravamento dos casos nas próximas semanas.

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