Acre se destaca em crescimento da arrecadação e dos serviços, mas tem um dos menores ganhos salariais

O Acre está entre os estados brasileiros que mais avançaram em arrecadação e atividade econômica nos últimos anos. Por outro lado, o estado aparece entre os que tiveram menor recuperação do poder de compra dos trabalhadores no período recente.

Os dados fazem parte do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (CICEF).

Entre 2019 e 2025, a Receita Corrente Líquida (RCL) do Acre cresceu, em média, 7,2% ao ano em termos reais. O resultado coloca o estado na terceira posição nacional em expansão da arrecadação.

O Acre ficou atrás apenas do Maranhão, com crescimento médio de 8%, e de Mato Grosso, com 7,7%. Na sequência aparecem estados como Rondônia, com 6,6%, e Piauí, com 6%.

O cálculo considera dados do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO), com os valores corrigidos pela inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Setor de serviços também cresce

O setor de serviços também apresentou desempenho positivo no Acre. No acumulado de 12 meses até março de 2026, a atividade registrou crescimento de 6,6%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa foi a terceira maior entre os estados pesquisados. O Distrito Federal liderou o ranking, com alta de 8,5%, seguido por Mato Grosso, com 7,7%.

O Acre ficou à frente de Mato Grosso do Sul, que registrou crescimento de 5,5%, Paraíba, com 5%, e São Paulo, com 4,4%.

Ganho salarial fica entre os menores

Apesar do avanço na arrecadação e nos serviços, o rendimento dos trabalhadores teve uma evolução mais limitada.

Entre o quarto trimestre de 2022 e o primeiro trimestre de 2026, o rendimento real dos trabalhadores acreanos cresceu 9%, colocando o estado entre os que tiveram menor recuperação salarial no país.

O Acre aparece no mesmo grupo de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará, todos com ganhos reais inferiores a 10% no período.

Na outra ponta, Sergipe apresentou o maior avanço nacional, com crescimento real de 32% nos rendimentos. O estado foi seguido por Ceará, Distrito Federal, Bahia e Paraíba.

Os números mostram um cenário de crescimento da arrecadação e da prestação de serviços no Acre, mas com uma evolução mais modesta dos rendimentos reais dos trabalhadores.

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