Um levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que o Acre apresentou, em 2025, a maior taxa de feminicídios do país, com 3,2 mortes para cada 100 mil mulheres. O estado aparece no topo do ranking nacional, à frente de Rondônia, com taxa de 2,9, e Mato Grosso do Sul, com 2,7. Os dados fazem parte do relatório Retrato dos Feminicídios no Brasil, divulgado às vésperas do Dia Internacional da Mulher.
Em números absolutos, o estado registrou 14 mulheres vítimas de feminicídio em 2025. O total representa um crescimento expressivo em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados oito casos. A variação corresponde a um aumento de 74,3%, uma das maiores altas percentuais observadas entre os estados brasileiros no período analisado.
A série histórica apresentada no estudo aponta oscilações ao longo dos últimos anos, mas com tendência recente de crescimento. Em 2021, foram registrados 12 casos no Acre. Em 2022, o número caiu para nove. No ano seguinte, foram contabilizados 10 feminicídios, seguidos de oito ocorrências em 2024. Já em 2025, o total voltou a subir e chegou a 14 registros.
Além do aumento no número absoluto de vítimas, o relatório destaca que a taxa proporcional à população feminina praticamente dobrou em apenas um ano. O índice passou de 1,8 por 100 mil mulheres em 2024 para 3,2 em 2025, mais que o dobro da média nacional, que ficou em 1,43 por 100 mil mulheres.
Em todo o Brasil, 1.568 mulheres foram assassinadas em 2025 por razões relacionadas ao gênero, número 4,7% maior que o registrado no ano anterior. Desde que o feminicídio passou a ser tipificado como crime, em 2015, pelo menos 13.703 mulheres foram mortas no país em decorrência desse tipo de violência.
Os pesquisadores responsáveis pelo estudo apontam que parte do aumento pode estar associada à melhoria nos processos de registro e classificação policial dos casos. No entanto, a análise também indica que há avanço real da violência letal contra mulheres, principalmente em situações que envolvem relações afetivas ou ambientes domésticos.
O relatório também chama atenção para os desafios enfrentados pela rede de proteção às vítimas. No Acre, duas das oito vítimas analisadas no estudo em 2025 possuíam medida protetiva de urgência ativa, o que representa 25% dos casos avaliados. O percentual é superior à média nacional, que ficou em 13,1%.
Especialistas destacam que, embora as medidas judiciais sejam ferramentas fundamentais para proteção das vítimas, os dados mostram que elas nem sempre são suficientes para evitar o desfecho fatal. A análise aponta possíveis falhas no acompanhamento dos agressores e na articulação entre os diferentes serviços que compõem a rede de proteção.
O perfil das vítimas também foi detalhado no levantamento nacional. Segundo os dados, 62,6% das mulheres assassinadas são negras e metade das vítimas tem entre 30 e 49 anos. Entre os meios utilizados nos crimes, 48,7% ocorreram com arma branca e 25,2% com arma de fogo. Em relação aos autores, 59,4% eram companheiros atuais das vítimas e 21,3% ex-companheiros.
Outro fator destacado no relatório é a maior incidência de feminicídios em municípios com até 100 mil habitantes. Nessas localidades, a taxa registrada foi de 1,7 por 100 mil mulheres, superior à verificada em cidades médias, com 1,2, e grandes centros urbanos, com 1,1. A menor presença de delegacias especializadas, casas de acolhimento e centros de atendimento às mulheres é apontada como um dos fatores que dificultam o acesso à proteção.
Diante desse cenário, o estudo reforça a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à prevenção da violência de gênero, fortalecer a rede de atendimento e intensificar a integração entre segurança pública, justiça e assistência social para reduzir os índices de feminicídio no Acre e em todo o país.






