O estado do Acre aparece em posição preocupante no cenário nacional da violência de gênero. Dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública revelam que, proporcionalmente, o estado registrou a maior taxa de feminicídios do país no ano de 2025, evidenciando um quadro alarmante de violência letal contra mulheres.
Embora estados mais populosos concentrem números absolutos mais elevados — como São Paulo, que liderou em quantidade de casos —, o recorte proporcional, que considera o número de ocorrências em relação à população feminina, coloca o Acre no topo do ranking. Esse indicador revela que, mesmo com menor população, a incidência do crime é mais intensa no estado.
As informações fazem parte de uma nova plataforma nacional criada para monitorar e analisar casos de feminicídio em todo o Brasil. A ferramenta reúne dados integrados e permite identificar padrões, auxiliando na prevenção e no enfrentamento desse tipo de violência.
Entre os principais pontos observados, destaca-se que a maioria dos crimes ocorre dentro de casa, tendo como autores, em grande parte dos casos, companheiros ou ex-companheiros das vítimas. O perfil mais frequente das mulheres assassinadas aponta para vítimas pardas, com idade média em torno de 37 anos.
Outro dado relevante é a existência de registros anteriores envolvendo agressões ou ameaças, indicando uma escalada de violência antes do desfecho fatal. A plataforma reúne esse histórico de forma anônima, respeitando as normas de proteção de dados, e busca justamente antecipar situações de risco.
Diante desse cenário, o avanço de políticas públicas e ações de prevenção se torna ainda mais urgente, especialmente em regiões como o Acre e o Vale do Juruá, onde os desafios de acesso a serviços de proteção e denúncia podem agravar ainda mais a vulnerabilidade das mulheres.






