Acre lidera detecção de hanseníase entre contatos, mas enfrenta alta de casos com sequelas graves

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O Acre tem se destacado no cenário nacional no enfrentamento à Hanseníase, apresentando em 2024 um desempenho marcado por contrastes. Ao mesmo tempo em que lidera o país na proporção de casos novos detectados por meio do exame de contatos, o estado também registra um dos maiores índices de pacientes diagnosticados já com sequelas graves.

Dados do boletim epidemiológico especial do Ministério da Saúde apontam que 36,6% dos novos casos no estado foram identificados a partir do exame de pessoas que tiveram contato com pacientes diagnosticados. O percentual é o maior entre todas as unidades da federação e supera com folga a média nacional, que é de 13,3%, refletindo o esforço das equipes de saúde na busca ativa de casos.

Por outro lado, o levantamento revela um cenário preocupante em relação ao estágio da doença no momento do diagnóstico. O Acre apresentou uma das maiores proporções de pacientes com grau 2 de incapacidade física — caracterizado por deformidades visíveis e danos permanentes. O índice saltou de 1,6% em 2015 para 18,8% em 2024, indicando que muitos casos ainda estão sendo identificados tardiamente.

Especialistas avaliam que esse contraste evidencia desafios no diagnóstico precoce em determinadas regiões. Apesar da eficiência no rastreamento de contatos, parte da população ainda procura atendimento quando a doença já está em estágio avançado.

Outro indicador relevante é a taxa de cura, que chegou a 84,7% em 2024. Embora considerado um resultado positivo, o percentual ficou abaixo de anos anteriores, como em 2018, quando atingiu 96,9%.

O acompanhamento de contatos segue como um dos pontos fortes no estado: 92% das pessoas expostas foram examinadas, índice classificado como “bom” pelo Ministério da Saúde.

A hanseníase é uma doença infecciosa e tem cura, especialmente quando diagnosticada precocemente. O tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pode durar de seis a doze meses, dependendo da gravidade do caso. Entre os principais sinais de alerta estão manchas na pele com perda de sensibilidade, formigamento e surgimento de nódulos. Especialistas reforçam que o combate ao estigma e a busca por atendimento ao surgirem os primeiros sintomas são fundamentais para evitar sequelas.

Com informações: Juruá24Horas

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