O Acre aplicou 34.376 doses de vacinas contra o sarampo entre janeiro e setembro de 2026, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre). O levantamento ocorre em meio à confirmação de dois casos da doença em pacientes provenientes do Peru, atendidos em Rio Branco.
Os números mostram que a cobertura da primeira dose (D1) chegou a 93,08% no estado. Já a segunda dose (D2) alcançou 68,41%, índice inferior ao registrado na primeira etapa da imunização.
Os dados são parciais e têm como base informações da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). O levantamento não detalha a quantidade de doses aplicadas em cada município acreano.
Em 2025, o estado registrou o maior número de doses aplicadas da série apresentada, com 78.808. Em 2018, foram 52.195 doses. Já 2021 teve o menor quantitativo, com 21.536 aplicações.
Acre confirma dois casos de sarampo em pacientes do Peru
Na última quinta-feira (8), foram confirmados dois casos de sarampo em pacientes residentes em Puerto Maldonado, no Peru, que receberam atendimento médico em Rio Branco. Os pacientes são uma criança de 11 meses e uma mulher de 30 anos.
Segundo a Sesacre, os dois também passaram pelos municípios de Assis Brasil e Brasileia, na região de fronteira com o país vizinho. Até o momento, a secretaria não classifica oficialmente os casos como importados.
A confirmação foi feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), laboratório de referência nacional, após exames iniciais de RT-PCR já apontarem a presença do vírus.
A criança de 11 meses está internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da capital acreana e apresenta quadro grave. A mulher de 30 anos também está hospitalizada, mas não apresenta sinais de gravidade, conforme informações da secretaria.
Após a confirmação, equipes de vigilância epidemiológica dos municípios envolvidos iniciaram o monitoramento dos contatos dos pacientes. Também estão previstas ações de bloqueio vacinal em Brasileia, no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) e no Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into), conforme avaliação técnica.
A investigação é realizada em conjunto pela Sesacre, Ministério da Saúde, Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) e secretarias municipais de Saúde, com participação das autoridades sanitárias peruanas.
O último caso de sarampo registrado no Acre havia sido em 2000, segundo a Secretaria de Estado de Saúde.
Quem deve se vacinar contra o sarampo?
Com a mudança no nível de alerta após a confirmação dos casos, as autoridades de saúde reforçam as medidas de prevenção e a importância de manter a vacinação em dia.
Entre as orientações estão:
- Crianças de 6 a 11 meses: receber a chamada dose zero da vacina tríplice viral, que não substitui as doses previstas no calendário de rotina.
- Pessoas de 5 a 29 anos: iniciar ou completar o esquema de duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias.
- Pessoas de 30 a 59 anos: receber uma dose caso não haja comprovação de vacinação anterior contra o sarampo.
- Pessoas com 60 anos ou mais: receber uma dose se não houver comprovação de vacinação anterior com a dupla viral ou tríplice viral.
- Trabalhadores da saúde: comprovar ou receber duas doses, independentemente da idade.
Em situações de alerta de nível 3, quando há casos confirmados no estado ou município, também deve ser realizado o bloqueio vacinal dos contatos de casos suspeitos em até 72 horas, em articulação com a Vigilância Epidemiológica e a Atenção Primária.
Quais são os sintomas do sarampo?
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar, que pode provocar complicações graves, principalmente em crianças pequenas. A vacinação é a principal forma de prevenção.
Os sintomas que podem indicar a doença são:
- Febre;
- Manchas vermelhas na pele;
- Tosse;
- Coriza;
- Conjuntivite.
A suspeita deve ser considerada especialmente quando a pessoa apresenta febre e manchas vermelhas após ter estado, nos últimos 30 dias, em uma região com circulação do vírus ou ter tido contato com alguém proveniente dessas áreas.
A Sesacre orienta que a população confira a caderneta de vacinação e procure uma unidade de saúde para atualizar as doses, se necessário.





