O Acre acumula 11.924 autos de infração ambiental em registros iniciados em 1983, além de aproximadamente R$ 1 bilhão em multas aplicadas desde julho de 1994. Os dados fazem parte de um levantamento do Instituto de Direito Agroambiental, atualizado em outubro de 2026, com informações de órgãos federais e estaduais de fiscalização ambiental.
Do total de autuações, 10.282 foram registradas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), entre 1983 e 2026, e outras 1.642 pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), de 2009 a 2026. Os números não incluem autos de infração do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), cuja base de autuações não está incorporada ao painel.
A quantidade de autuações aumentou entre os dois últimos anos completos da série. Em 2024, foram registrados 619 autos de infração, enquanto em 2025 o total chegou a 755, uma alta de aproximadamente 22%.
Em 2026, até a atualização de outubro, foram contabilizadas 657 autuações, acompanhadas de R$ 72,5 milhões em multas aplicadas. Em 2025, as penalidades financeiras somaram R$ 109,2 milhões.
O levantamento também reúne 6.721 termos de embargo ambiental, que abrangem uma área acumulada de 271.924 hectares, equivalente a aproximadamente 2.719 quilômetros quadrados. Desse total, 4.876 registros são do Ibama, 1.056 do ICMBio e 789 do Imac.
Somente em 2026, foram registrados 545 termos de embargo, envolvendo 49.755 hectares. Em 2025, foram 572 termos, correspondentes a 21.800 hectares. Embora o número de registros em 2026 seja menor, a área abrangida é aproximadamente 128% maior. A comparação considera, porém, dez meses de dados de 2026, enquanto 2025 contempla o ano completo.
Na distribuição municipal das autuações acumuladas, Rio Branco lidera, com 1.957 registros e R$ 142 milhões em multas aplicadas. Sena Madureira aparece em seguida, com 1.465 autuações e R$ 111,8 milhões em penalidades. Feijó ocupa a terceira posição em número de registros, com 1.152 autos, mas apresenta o maior valor em multas entre os três municípios, totalizando R$ 161 milhões.
Em relação à extensão das áreas embargadas, Sena Madureira aparece na primeira posição, com 49.778 hectares. Na sequência estão Feijó, com 47.690 hectares; Acrelândia, com 44.488 hectares; e Tarauacá, com 41.710 hectares.
As infrações relacionadas à flora representam 84,3% dos autos do Ibama com classificação temática identificada. O levantamento também contabiliza 1.719 termos de apreensão registrados pelo órgão federal entre 1992 e 2026, com bens avaliados em R$ 18,3 milhões.
Apesar do volume de multas, o total de aproximadamente R$ 1 bilhão corresponde a penalidades aplicadas, e não necessariamente a valores efetivamente arrecadados. Segundo os dados referentes ao Ibama, 22,5% dos registros de multas constam como pagos, enquanto 53,6% permanecem em aberto, sujeitos a diferentes situações administrativas ou judiciais.
O levantamento foi elaborado a partir de bases do Ibama, do ICMBio e do Imac, com datas distintas de atualização. Os valores das multas são contabilizados em reais a partir de julho de 1994, sem correção monetária.
Os dados permitem dimensionar o histórico de fiscalização ambiental no Acre, mas a quantidade de autuações, isoladamente, não determina a extensão dos danos ambientais nem permite concluir se houve aumento proporcional das infrações ou intensificação da fiscalização.





