Açaí mais caro pesa no bolso e produtores explicam alta em Cruzeiro do Sul

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Redação Juruá Online

O litro do açaí vendido em Cruzeiro do Sul tem pesado no bolso do consumidor e já é encontrado, em média, por até R$ 25. O aumento, que tem gerado reclamações da população, ocorre justamente no início da safra de 2026, período marcado por dificuldades na coleta e elevação dos custos de produção.

Produtor, tirador e vendedor de açaí, Jarderson Ferreira explica que o momento é de escassez do fruto e de grandes desafios para quem trabalha diretamente na mata. “A gente hoje a gente tem apenas dez dias de safra iniciada agora, ou seja, a saca está bem mais difícil de ser tirada, de ser trazida e o os tiradores passam mais de três horas na mata andando nessa época, que é a época que a gente chama de biboca que é aonde tem aqueles picos naqueles locais onde tem muita tem muitas árvores e raízes, dificulta a locomoção dos tiradores e tem muito risco deles caírem”, relata.

Além da dificuldade no acesso às áreas de coleta, os custos para colocar o produto no mercado também subiram. Jarderson aponta que itens básicos da cadeia de comercialização ficaram mais caros. “O gelo, que antes era dez reais a saca, hoje já está vinte. A sacola subiu, os isopores, as sombrinhas, tudo está bem mais elevado. Isso tudo entra no preço do litro”, afirma.

Outro fator que pressiona os valores é a presença de compradores de fora do município. Segundo o produtor, comerciantes de cidades como Rio Branco, Feijó e Tarauacá têm ido até Cruzeiro do Sul para adquirir o açaí diretamente dos tiradores. “Enquanto a gente paga em média duzentos reais a saca, o pessoal de fora está pagando duzentos e quarenta, duzentos e cinquenta. Aí a gente precisa cobrir esse valor para conseguir produto e vender aqui para os cruzeirenses”, explica.

Jarderson também destaca que o atraso da safra contribuiu para o cenário atual. De acordo com ele, o açaí que normalmente amadureceria em setembro só começou a ficar pronto em janeiro deste ano, por causa das condições climáticas. “Com mais chuva, as terras ficam alagadas, dificulta para os tiradores e até para a gente ir buscar o produto nos ramais, com carro atolando. Isso tudo encarece o açaí que chega ao mercado”, diz.

Apesar do preço elevado no momento, a expectativa é de queda nas próximas semanas. “Como a safra atrasou, o açaí vai chegar praticamente todo de uma vez. Quando aumentar o volume no mercado, o produto tende a baixar. Lá pelo início de fevereiro já deve cair para uns dez ou doze reais o litro”, projeta o produtor. Segundo ele, a alta atual é temporária e deve ser normalizada com o avanço da colheita.

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