Iate, jato e nove carros de luxo são apreendidos em investigação sobre crise bancária no Paraguai

O Ministério Público do Paraguai apreendeu um iate de luxo, um jato particular e nove carros avaliados em US$ 14 milhões durante operações contra empresários ligados ao Grupo Vázquez, controlador do Banco Ueno. As ações fazem parte de uma investigação sobre suspeitas de fraude financeira que provocaram uma crise bancária e política no país.

Entre os bens apreendidos estão um iate fabricado pela italiana Azimut Yachts, pertencente a Miguel Vázquez, ex-presidente do Grupo Vázquez e ex-CEO do Banco Ueno, e um avião Beechcraft King Air 300, localizado em um hangar no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, na cidade de Luque.

Os nove veículos de luxo foram encontrados durante uma operação em um imóvel ligado à direção do banco, em Assunção. Também foram realizadas buscas em escritórios da instituição financeira e em endereços relacionados ao grupo empresarial. Documentos, computadores e celulares foram recolhidos para análise.

Segundo o Ministério Público, a investigação busca identificar possíveis operações financeiras irregulares realizadas dentro e fora do banco, por meio de empresas que compartilhavam diretores, endereços e operadores. A suspeita é de que essas transações tenham provocado prejuízos financeiros à instituição.

Miguel Vázquez e outros sete integrantes do conselho de administração do Banco Ueno foram presos. De acordo com o Banco Central do Paraguai, a instituição concedeu empréstimos acima dos limites legais a empresas ligadas ao próprio grupo controlador, comprometendo sua liquidez. Os investigados são suspeitos de abuso de confiança e outros crimes.

Crise bancária e política

A crise se agravou em 3 de novembro, quando o Banco Central do Paraguai determinou a suspensão das operações do Ueno Bank e iniciou um processo de resolução da instituição, após considerá-la insolvente, ou seja, sem condições de cumprir suas obrigações financeiras.

O caso também provocou mudanças na cúpula da autoridade monetária. Carlos Carvallo, que presidia o Banco Central desde 2023 e havia comandado anteriormente o Banco Ueno, renunciou ao cargo.

A crise alcançou ainda o presidente Santiago Peña, que enfrentou pressão política e um pedido de impeachment. Peña foi acionista da Ueno Holding, empresa relacionada ao grupo controlador do banco, até março de 2025.

Segundo as informações divulgadas, o futuro político do presidente passou a depender de uma decisão do Congresso paraguaio sobre sua renúncia, em meio às investigações e às suspeitas envolvendo a instituição financeira.

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