A Justiça dos Estados Unidos condenou Daniel Sikkema, de 56 anos, à prisão perpétua por planejar e financiar o assassinato de seu ex-marido, o galerista norte-americano Brent Sikkema, de 75 anos. A sentença foi proferida na quarta-feira (4), em um tribunal federal de Manhattan, em Nova York.
Daniel já havia sido considerado culpado em maio deste ano, após um julgamento de duas semanas. Ele foi condenado por homicídio mediante contratação, conspiração para cometer homicídio mediante contratação e conspiração para cometer assassinato em território estrangeiro. Além da prisão perpétua, recebeu cinco anos de liberdade supervisionada após o cumprimento da pena.
Brent foi assassinado em 14 de janeiro de 2024, dentro de sua residência no bairro Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O galerista foi encontrado morto com 18 perfurações provocadas por faca. Ele e Daniel foram casados por aproximadamente 15 anos e tinham um filho. O planejamento do crime teria começado em 2023, durante um processo de divórcio conturbado.
As investigações apontaram que Daniel contratou o cubano Alejandro Triana Prevez para executar o assassinato. Para viabilizar o plano, realizou 11 transferências financeiras destinadas ao executor e à companheira dele, que estava em Cuba.
Segundo os promotores, o ex-marido utilizou identidades de amigos, familiares e funcionários para esconder a origem dos pagamentos. Também teria providenciado um telefone secreto para manter contato com Prevez durante a preparação do crime.
Na noite do assassinato, o executor entrou na residência de Brent e o atacou com 18 facadas. Após o homicídio, ligou diversas vezes para Daniel por meio do número combinado. O mandante enviou US$ 5 mil ao executor e prometeu novos pagamentos.
Alejandro Triana Prevez foi preso pelas autoridades brasileiras em 18 de janeiro de 2024, quatro dias após o crime. O processo contra ele continua em tramitação na Justiça brasileira.
O caso mobilizou autoridades do Brasil e dos Estados Unidos, incluindo a Polícia Civil do Rio de Janeiro e o FBI. A cooperação entre os dois países contribuiu para o avanço das investigações e para a condenação de Daniel em território norte-americano.
Brent Sikkema era proprietário da galeria de arte Sikkema Jenkins & Co., em Nova York, posteriormente denominada Sikkema Malloy Jenkins. Ao longo da carreira, teve participação na divulgação de artistas contemporâneos, entre eles a norte-americana Kara Walker e o brasileiro Vik Muniz. O galerista também mantinha uma residência no Rio de Janeiro.





