Acre registra queda de 17% nos focos de queimadas em 2026, mas setembro teve mais de 3,4 mil ocorrências reais de fogo

O Acre registrou 2.113 focos de queimadas entre 1º de janeiro e 25 de outubro de 2026, contra 2.553 no mesmo período de 2025. A redução foi de 440 focos, equivalente a 17,2%, segundo balanço divulgado pelo governo estadual nesta segunda-feira (26).

Apesar da queda no acumulado do ano, os dados do sistema Vigia-AC mostram a intensidade das ocorrências durante o período mais crítico da estiagem. Entre 1º e 22 de setembro, a plataforma identificou 5.743 registros de possíveis ocorrências de fogo no estado. Após a verificação, 3.444 foram confirmados como fogo real.

Do total identificado em setembro, 3.661 ocorrências passaram por análise de imagens de alta resolução. Desse grupo, 94,1% foram confirmadas como fogo real, enquanto 217 não foram classificadas dessa forma.

Os números dos dois levantamentos não são diretamente comparáveis. O balanço anual contabiliza focos detectados por um sistema de monitoramento, enquanto o Vigia-AC reúne registros de ocorrências submetidas a critérios próprios de identificação e verificação. Portanto, os dados não devem ser somados.

O Vigia-AC começou a operar em 2026 e é utilizado pelo Corpo de Bombeiros Militar para identificar ocorrências e orientar o deslocamento das equipes. A plataforma reúne informações de satélites, áreas desmatadas, risco de incêndio e superfícies atingidas pelo fogo.

Fiscalização e prevenção

O governo também utiliza o Índice de Prioridade de Incêndio para identificar áreas que exigem maior atenção nas ações preventivas. A metodologia apontou seis municípios prioritários para o enfrentamento dos incêndios florestais.

Na fiscalização ambiental, o Instituto de Meio Ambiente do Acre concentra ações em Rio Branco, Feijó, Tarauacá, Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Senador Guiomard, com atividades de fiscalização, prevenção e educação ambiental.

O Programa de Brigadas Comunitárias nas Unidades de Conservação estaduais conta com 50 integrantes. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, o grupo realizou 102 operações, sendo 34 de combate direto ao fogo e 68 preventivas. Também participou de 37 operações integradas com o Corpo de Bombeiros e de atividades que alcançaram 1.018 pessoas.

O estado ainda investiu na capacitação dos brigadistas para o uso de drones, empregados na identificação de áreas atingidas e no acompanhamento de situações de risco.

Emergência ambiental

O enfrentamento das queimadas ocorre durante a vigência do Decreto nº 11.932/2026, publicado em agosto, que declarou situação de emergência ambiental em todo o Acre por 180 dias diante do risco de seca severa e desabastecimento hídrico associado ao fortalecimento do fenômeno El Niño.

Durante esse período, o Instituto de Meio Ambiente do Acre suspendeu a emissão de autorizações para queimadas controladas. Situações excepcionais dependem de avaliação dos órgãos ambientais responsáveis.

O estado também desenvolve o Plano de Manejo Integrado do Fogo. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, as etapas de diagnóstico, mapeamento territorial e avaliação de riscos foram concluídas, e os trabalhos avançam no planejamento de medidas preventivas e operacionais.

As ações envolvem órgãos estaduais, municipais e federais, incluindo o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar, o Instituto de Meio Ambiente do Acre e o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais.

O balanço divulgado não detalha quantos focos foram registrados em cada município, a extensão total das áreas queimadas nem a comparação mensal com 2025. Também não apresenta dados que permitam determinar quanto da redução anual está diretamente relacionado às medidas de prevenção, fiscalização e combate ao fogo.

spot_img

Notícias relacionadas:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS