Cacau com Elas: mulheres criam microagroindústria de chocolate a partir do cacau no interior de Cruzeiro do Sul

Sete mulheres produtoras rurais do Ramal 12, em Cruzeiro do Sul, transformaram o cultivo de cacau em um negócio próprio com a criação da Cacau com Elas, microagroindústria voltada à fabricação de chocolates artesanais. A iniciativa surgiu há cerca de oito anos, diante das dificuldades para escoar a produção, e hoje comercializa diferentes produtos à base do fruto em pontos da cidade.

O projeto começou com a produtora rural Eliana Augusta, que iniciou o plantio de cacau na comunidade. Na época, a comercialização das amêndoas dependia de compradores de Rondônia, o que dificultava o escoamento da produção. Para encontrar uma alternativa, três mulheres passaram a fabricar pequenas barras de chocolate em uma estrutura simples, coberta de palha.

Com o tempo, o grupo aprimorou as técnicas de fabricação e conseguiu apoio para estruturar a microagroindústria, com participação da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), da Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac), do Sebrae e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). A Cacau com Elas é apontada pelas integrantes como a primeira microagroindústria de chocolate do tipo no Acre.

Atualmente, as produtoras fabricam chocolate ao leite, versões com 60% e 70% de cacau e cacau em pó 100%. Os produtos são comercializados em feiras, no aeroporto de Cruzeiro do Sul e em cafeterias da cidade. O grupo também prepara um ponto de venda em Rio Branco para ampliar o alcance da produção.

“A gente não consegue nada sozinho, é através dos parceiros”, destacou Eliana, ao falar sobre a importância do apoio recebido para desenvolver a atividade. Sobre a aceitação dos produtos, ela resumiu: “Quem prova quer de novo”.

Curso busca ampliar o aproveitamento do cacau

Na quarta-feira (21), as integrantes do grupo iniciaram uma capacitação da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), com orientações sobre boas práticas de fabricação e produção de derivados. A formação inclui atividades práticas para ensinar o aproveitamento de partes do fruto que normalmente são descartadas.

Segundo o instrutor José Janilson do Socorro, agente de atividades agropecuárias da Ceplac, as sementes secas representam cerca de 8% do cacau, enquanto os outros 92% podem ter diferentes formas de aproveitamento. Um exemplo é o mel de cacau, líquido que pode ser usado na fabricação de geleias, licores, xaropes e outros produtos.

A proposta é diversificar a produção e agregar valor à matéria-prima, criando novas oportunidades de renda para as agricultoras. Com a fabricação própria, o grupo busca fortalecer o negócio construído na zona rural e ampliar a presença dos chocolates produzidos em Cruzeiro do Sul no mercado acreano.

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