Eleitores de 44 aldeias indígenas do Vale do Javari, no interior do Amazonas, poderão enfrentar dificuldades para chegar às urnas no segundo turno das Eleições 2026. O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) negou um pedido de apoio logístico apresentado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), que solicitava transporte fluvial, água potável e alimentação para os votantes.
A decisão foi tomada pela juíza Dálethe Borges Messias, da 42ª Zona Eleitoral. Segundo a Justiça Eleitoral, o pedido não pôde ser atendido devido ao encerramento dos prazos legais para o planejamento da operação, à ausência de dotação orçamentária específica e à inviabilidade logística para organizar o transporte a tempo da votação.
A Prefeitura de Atalaia do Norte, município que concentra a maior parte dos eleitores indígenas da região, também informou não ter condições de realizar o transporte. No primeiro turno, a abstenção no município chegou a 26,75%.
Em nota, a Univaja repudiou a decisão e argumentou que a presença de urnas dentro do território indígena não garante que todos os eleitores consigam exercer o direito ao voto. A entidade também destacou as dificuldades de deslocamento provocadas pela seca e pela vazante dos rios, que afetam a navegação na região.
De acordo com a decisão judicial, o pedido foi apresentado à Justiça Eleitoral em 13 de outubro, apenas 12 dias antes da votação. Os prazos para requisitar embarcações, organizar itinerários e divulgar horários de transporte haviam terminado entre 4 de setembro e 10 de outubro.
O TRE-AM justificou que o cumprimento desses prazos é necessário para assegurar a transparência da operação e permitir a fiscalização do transporte pelo Ministério Público Eleitoral e pelos partidos políticos.
Com a negativa, permanece o impasse sobre como os eleitores das aldeias mais distantes do Vale do Javari conseguirão chegar aos locais de votação no segundo turno das eleições.





