A Rússia realizou uma ofensiva aérea de grande escala contra a Ucrânia na madrugada desta segunda-feira (19), com o lançamento de 16 mísseis balísticos na região de Kiev e mais de 200 drones contra diferentes áreas do país. Os ataques deixaram ao menos três mortos e provocaram danos em instalações de energia, ferrovias, imóveis comerciais e edifícios residenciais.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o país não recebeu aviso prévio de seus parceiros internacionais sobre o ataque. Em mensagem publicada no Telegram, ele criticou a falta de alertas antecipados durante a ofensiva russa.
Segundo as informações divulgadas, uma mulher morreu na região de Kiev, enquanto outras duas pessoas morreram na cidade industrial de Kryvyi Rih.
O Ministério da Defesa da Rússia confirmou que suas forças realizaram o que classificou como um “ataque massivo”. A ofensiva também atingiu mais de dez instalações de energia, além de estações ferroviárias e depósitos farmacêuticos.
Zelensky critica apoio internacional
A Ucrânia tem utilizado informações de inteligência dos Estados Unidos para identificar lançamentos de mísseis russos e emitir alertas à população. No entanto, autoridades ucranianas relatam uma redução desse apoio. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, nega que Washington tenha suspendido parte do compartilhamento de informações.
Zelensky também criticou as restrições às entregas de mísseis para a defesa aérea ucraniana e o alívio de algumas sanções contra Moscou.
“Quando as entregas de mísseis para a defesa aérea da Ucrânia são bloqueadas, enquanto a Rússia recebe alívio ou adiamentos nas sanções, isso é, infelizmente, uma negação da realidade por parte de nossos parceiros”, afirmou o presidente.
Trump pressiona por acordo de paz
A Casa Branca tem pressionado Kiev a negociar um acordo para encerrar a guerra, iniciada em fevereiro de 2022. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também anunciou medidas relacionadas ao comércio de diesel com a Rússia e à suspensão de algumas sanções contra Moscou, alegando que a iniciativa pode contribuir para manter o Kremlin nas negociações.
No domingo (18), Trump acusou Zelensky de não demonstrar interesse em encerrar o conflito. Em publicação na rede social Truth Social, o presidente americano também criticou a ajuda financeira concedida à Ucrânia pelos Estados Unidos e pela Europa.
Marco Rubio reafirmou que Washington pretende buscar alternativas para encerrar a guerra. Segundo ele, Trump está aberto a medidas que possam contribuir para uma solução diplomática.
Reunião entre Trump, Putin e Xi Jinping
Em meio às negociações, o jornal norte-americano The Wall Street Journal noticiou que o Kremlin teria proposto uma reunião trilateral entre Trump, o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente chinês, Xi Jinping, sem a participação de representantes ucranianos.
A proposta seria realizar o encontro durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), prevista para os dias 18 e 19 de novembro, na cidade chinesa de Shenzhen. A sugestão teria sido apresentada por Putin durante uma conversa telefônica com Trump em 9 de outubro.
Questionado sobre o assunto nesta segunda-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que uma solução definitiva para a guerra dificilmente será alcançada sem a participação de representantes de Kiev dispostos a assumir responsabilidades pelo acordo.
Peskov também declarou que a Rússia valoriza os esforços de mediação dos Estados Unidos e indicou que uma reunião entre Trump, Putin e Xi Jinping poderá ocorrer no próximo mês.





