Mesmo com bilhões de reais em subsídios concedidos pelo governo federal para conter os preços, os combustíveis e outros produtos utilizados nos veículos acumulam inflação de 4,49% entre janeiro e setembro de 2026. O índice é quase o dobro da alta registrada durante todo o ano passado, quando os preços subiram 2,30%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pressão sobre os preços está relacionada principalmente ao encarecimento do petróleo no mercado internacional, influenciado pelos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia. Para tentar reduzir os impactos sobre os consumidores, o governo federal adotou medidas como desonerações tributárias e subsídios para produtores e importadores de combustíveis.
De acordo com os dados divulgados, cerca de R$ 40 bilhões já foram direcionados às medidas de contenção dos preços.
Subsídios não impedem aumento dos combustíveis
Entre as medidas adotadas estão incentivos financeiros para o diesel e a gasolina, além da redução ou isenção de tributos federais sobre diferentes combustíveis.
No caso do diesel rodoviário, o governo ampliou os subsídios para tentar reduzir o custo do produto. As medidas mais recentes elevaram o apoio financeiro aos importadores para R$ 3,52 por litro, considerando os incentivos mencionados no levantamento.
Para a gasolina, também foram anunciadas reduções tributárias e subvenções econômicas. O etanol hidratado recebeu incentivos adicionais para conter os custos de comercialização.
Apesar das medidas, os preços continuaram pressionados. Segundo levantamentos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diesel S10 acumulou alta de até 20,85% desde o início da guerra no Oriente Médio, conforme o período considerado na análise.
O etanol foi a exceção entre os combustíveis destacados, com queda de 10,58% no preço médio de revenda.
A gasolina comum também registrou oscilações. Antes do início do conflito, em 28 de fevereiro, o litro custava, em média, R$ 6,28. Depois, chegou a R$ 6,78 e, no levantamento de 10 de outubro, estava em R$ 6,54.
Petróleo caro pode pressionar preços em 2027
A perspectiva de manutenção dos preços elevados preocupa porque os efeitos podem continuar no próximo ano, independentemente de quem estiver à frente do governo federal.
Em relatório divulgado na quarta-feira (14), a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) alertou que a escassez de diesel pode persistir durante boa parte de 2027.
Segundo a instituição, o mercado de petróleo deve continuar com oferta insuficiente em relação à demanda até o final de 2026, enquanto as restrições no fornecimento de derivados, especialmente os destilados médios, podem se prolongar pelo ano seguinte.
A pressão ocorre em um cenário de alta do petróleo Brent, referência internacional para o setor. Antes do início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, o barril era negociado próximo de US$ 70. Durante o conflito, chegou a alcançar US$ 120. Na sexta-feira (16), estava cotado a US$ 105,90.
Um dos principais fatores é a restrição à navegação pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte internacional de petróleo produzido no Golfo Pérsico.
O conflito entre Rússia e Ucrânia também influencia o mercado. De acordo com a IEA, os danos provocados por drones ucranianos em refinarias russas contribuíram para a redução da produção e das exportações de diesel do país.
Inflação dos combustíveis em perspectiva
Apesar da aceleração registrada em 2026, a inflação dos combustíveis ainda deve ficar abaixo dos índices observados em anos anteriores do atual mandato presidencial.
Em 2023, a alta foi de 8,37%. Já em 2024, chegou a 10,09%, o maior percentual do período. Em 2025, o avanço foi de 2,30%.
Com o acumulado de 4,49% até setembro deste ano, os combustíveis já apresentam uma elevação superior à registrada durante todo o ano passado. A evolução dos preços nos próximos meses dependerá, entre outros fatores, do comportamento do petróleo no mercado internacional, da duração dos conflitos e da continuidade das medidas adotadas pelo governo federal.





