O câncer de mama lidera o número de registros entre os tipos de câncer no Acre em 2026. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) apontam 2.342 ocorrências associadas ao código C50, referente à neoplasia maligna da mama. O número corresponde a 19,1% do total contabilizado no levantamento.
Os dados integram uma relação de diagnósticos classificados pela Classificação Internacional de Doenças (CID-10), que inclui categorias específicas para diferentes regiões da mama, como o mamilo, a aréola e a porção central.
Além da prevenção e do diagnóstico precoce, especialistas destacam que o cuidado com as mulheres diagnosticadas com a doença precisa continuar mesmo após o encerramento da quimioterapia ou da radioterapia.
Apoio emocional é importante após o tratamento
O fim do tratamento contra o câncer de mama nem sempre representa o encerramento das dificuldades enfrentadas pelas pacientes. O medo de a doença voltar, as mudanças físicas e as inseguranças podem permanecer e afetar a qualidade de vida.
A psicóloga clínica Laís Mutuberria Vieira explica que, enquanto familiares e amigos esperam que a rotina volte ao normal, muitas mulheres continuam convivendo com receios e incertezas.
Segundo a especialista, durante o tratamento, as pacientes mantêm contato frequente com profissionais de saúde e recebem acompanhamento contínuo. Depois dessa etapa, porém, podem surgir dúvidas sobre o futuro e o temor de uma possível recorrência da doença.
A ansiedade também pode aumentar durante os exames de acompanhamento. Dores e alterações no corpo podem ser interpretadas como sinais de retorno do câncer, mesmo sem confirmação médica.
As consequências físicas do tratamento também podem afetar a autoestima, a sexualidade e os relacionamentos. Cicatrizes, retirada ou reconstrução da mama e redução da disposição física estão entre os fatores que podem modificar a forma como a mulher se percebe e vivencia a intimidade.
Atendimento deve considerar saúde física e emocional
A mastologista e radiologista Renata Reis Pinto, com experiência no Instituto Nacional de Câncer (Inca), ressalta que o estigma associado à doença contribui para o medo e a insegurança, inclusive após o término do tratamento.
A especialista defende uma assistência multidisciplinar, que considere as necessidades físicas, emocionais e sociais das pacientes.
Nesse processo, o acompanhamento psicológico pode ajudar no enfrentamento da ansiedade e dos receios. Já o serviço social pode contribuir para solucionar dificuldades práticas relacionadas ao trabalho, aos cuidados com os filhos e aos deslocamentos para consultas e exames.
Quando o medo se torna intenso e interfere na rotina, uma avaliação médica também pode ser necessária para verificar a indicação de tratamento medicamentoso.
Registros apresentam oscilações ao longo dos anos
O levantamento da Sesacre reúne ainda uma série histórica de registros de câncer de mama entre 2007 e 2024, com informações organizadas por faixa etária e sexo.
Na tabela por faixa etária, o número passou de 118 registros em 2007 para 126 em 2024. O menor total da série foi registrado em 2010, com 51 ocorrências.
Em 2024, as faixas etárias de 45 a 49 anos e de 50 a 54 anos concentraram 23 registros cada. A tabela também apresenta ocorrências entre pessoas com menos de 40 anos.
Na distribuição por sexo, foram informados 126 registros entre mulheres e dois entre homens em 2024. Há, contudo, divergência entre os totais dessa tabela e os números organizados por faixa etária, o que exige cautela na comparação dos dados.
Câncer do colo do útero também aparece na série histórica
O levantamento estadual inclui ainda registros de câncer do colo do útero. Foram contabilizadas 153 ocorrências em 2007 e 192 em 2008. Nos anos mais recentes da série, os números foram de 129 registros em 2023 e 110 em 2024.
Os dados reforçam a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento nos serviços de saúde. No caso do câncer de mama, a assistência também precisa contemplar o bem-estar emocional das pacientes durante e depois do tratamento, respeitando as necessidades de cada mulher.





