Por trás do som do rádio: engenheiro dedica quase três décadas às emissoras da Região Norte

Aos 79 anos, Eurico Gomes Fonseca Filho mantém uma trajetória de quase três décadas dedicada à engenharia eletrônica e à radiodifusão. Conhecido na Região Norte como Seu Eurico, ele se tornou referência no trabalho técnico responsável por fazer o sinal das emissoras chegar com qualidade aos ouvintes.

Formado em engenharia eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Eurico acumula 29 anos de experiência no setor e já atuou na implantação, manutenção e funcionamento de diversas rádios da Região Norte.

A ligação com a radiodifusão começou a partir dos trabalhos desenvolvidos para a Igreja Católica. Foi nesse período que Eurico passou a atuar na expansão da Rede Vida por diferentes localidades da Amazônia, experiência que ajudou a abrir caminho para outros projetos na região.

“Através dos trabalhos que comecei a fazer para a Igreja Católica, no sistema de radiodifusão com a Rede Vida, eu, conjuntamente com outro colega, Paulo Tukiama, começamos a expandir a Rede Católica, Rede Vida, em toda a hinterlândia da Amazônia. E, com isso, fomos ficando conhecidos em várias localidades.”

A atuação em diferentes municípios também aproximou o engenheiro de nomes que tiveram participação na expansão da comunicação na região. Entre eles estava o ex-governador Orleir Cameli, com quem Eurico teve contato durante um dos projetos que ajudaram a fortalecer a estrutura de radiodifusão em Cruzeiro do Sul.

“Conheci, na época, também o senhor Orleir Cameli. Foi quando ele, em parceria com a Diocese de Cruzeiro do Sul, com Dom Henrique Ruth e Dom Luís, resolveu trazer para cá os transmissores da Fundação Rede Floresta.”

Entre os projetos que marcaram a carreira de Eurico está justamente a Rádio Juruá FM, principal rádio de Cruzeiro do Sul, onde teve participação importante desde os primeiros passos da emissora.

Ao longo da carreira, Eurico esteve e ainda está envolvido com emissoras instaladas em diferentes pontos da Região Norte, chegando a atuar em projetos que se estendem de Manaus a Cuiabá. Atualmente, o profissional atual em 32 emissoras nessa região, como supervisor técnico e orientando a juventude.

Nos bastidores, equipamentos como transmissores, mesas de áudio e sistemas de antenas precisam funcionar de forma integrada. É esse conjunto de processos que permite que uma programação produzida dentro de um estúdio chegue até o rádio de uma casa, de um comércio ou de um veículo.

A profissão, no entanto, exige muito mais do que conhecimento técnico. Quando questionado sobre as principais dificuldades da profissão, seu Eurico respondeu:

“É principalmente o deslocamento, porque nenhum equipamento vai até nós; somos nós que temos que ir até eles. Às vezes, são pontos longínquos, realmente difíceis de chegar. Esse é um grande desafio, talvez o maior problema nosso: chegar até onde estão os transmissores. Ao mesmo tempo, é um trabalho árduo, que requer muito cuidado, porque lidamos com alta tensão. É preciso ter bastante atenção para que, ao final, tudo esteja funcionando sem nenhum problema.”

Na Rádio Juruá FM, esse cuidado também faz parte da rotina. Cada equipamento precisa ser acompanhado de perto para evitar falhas e garantir que o áudio chegue com qualidade aos ouvintes.

São quase três décadas entre transmissores, antenas, mesas de áudio e sistemas de radiodifusão. Uma trajetória construída nos bastidores, mas que ajudou a manter no ar emissoras importantes e a levar informação, música e comunicação a diferentes lugares da Amazônia.

Longe dos microfones, mas essencial para que eles funcionem, Seu Eurico representa uma geração de profissionais que ajudou a construir e manter viva a história do rádio na Região Norte.

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