Acre registra recorde histórico com apreensão de 6,3 toneladas de drogas em 2026

Nessa quinta-feira (1º), foi apresentado o relatório de atividades do Grupo Especial de Operações em Fronteiras (GEFRON) no Acre, referente ao período de janeiro a 30 de setembro de 2026.

Segundo os dados apresentados pelo coronel Assis dos Santos, atual coordenador do GEFRON, as forças de segurança apreenderam 6 toneladas e 340 quilos de drogas ao longo dos nove primeiros meses do ano.

“Nós temos um recorde histórico de 6 toneladas e 340 quilos. É um recorde que significa uma ampliação de mais de 1.000% das apreensões”, afirmou o representante da pasta ao apresentar os números.

Segundo ele, o resultado está relacionado à ampliação das operações realizadas pelas forças de segurança desde o início da atual gestão.

No Vale do Juruá, considerada a segunda maior região do estado, as ações estão sendo ampliadas. A região conta com uma base das forças de segurança e deverá receber novas embarcações para reforçar o policiamento fluvial durante o período de chuvas.

“Aqui no Juruá é uma base importante. Estamos ampliando a atuação aqui, estamos recebendo mais embarcações para trabalhar no início desse período de chuvas”, explicou.

Durante o período de estiagem, segundo o coronel, as equipes também aumentaram a presença em ramais e trilhas de áreas rurais de Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e Mâncio Lima, além de comunidades do entorno.

Uma das apreensões recentes ocorreu durante uma abordagem a um táxi. Segundo o relato apresentado, uma pessoa teria apresentado comportamento considerado diferente em dois momentos da abordagem. Os policiais fizeram uma revista em uma mochila e encontraram seis quilos de entorpecentes.

Atualmente, as maiores apreensões de drogas estão concentradas na região do Baixo Acre, incluindo Plácido de Castro e Acrelândia. O Juruá aparece como a segunda região com maior volume de apreensões.

Mais de R$ 74 milhões em prejuízo ao crime

O conjunto das apreensões realizadas pelas forças de segurança já representa, segundo os dados apresentados, mais de R$ 74 milhões em prejuízos às organizações criminosas.

“Nós temos hoje a atualização do nosso conjunto de apreensões, que soma mais de R$ 74 milhões. Então é um prejuízo significativo ao crime”, afirmou o coronel Assis dos Santos.

Além do combate ao tráfico de drogas, as operações também têm como foco o contrabando. Entre os principais produtos apreendidos estão cigarros e mercadorias falsificadas.

“Nós temos mais de 34 mil maços de cigarros apreendidos e mais de 56 mil itens de contrabando, que vão desde brinquedos falsificados até desodorantes”, disse.

A coronel também identificou uma nova modalidade de comércio irregular no estado envolvendo refrigerantes falsificados procedentes da Bolívia, e ressaltou ainda que o comércio de cigarros contrabandeados gera impactos que vão além da questão tributária.

“A compra do cigarro pirateado traz um prejuízo para os comerciantes que pagam os impostos e também para a pessoa que consome esse cigarro, porque é um cigarro sem procedência e sem fiscalização da Vigilância Sanitária”, afirmou.

Segundo ele, a compra desses produtos também pode contribuir para o financiamento de atividades criminosas. “A partir do momento em que eu compro um cigarro que foi contrabandeado, que foi fruto de crime, ele está contribuindo financeiramente com o crime”, acrescentou.

Operações chegam a comunidades rurais e ribeirinhas

No Juruá e em outras regiões de difícil acesso, as forças de segurança também têm utilizado ações fluviais, monitoramento e informações repassadas pelas próprias comunidades para identificar possíveis crimes.

“Como nossas áreas são de difícil acesso, nós temos que ter um profissional bem capacitado”, explicou o representante, destacando a ampliação da capacitação dos policiais que atuam nessas localidades.

A estratégia também busca aproximar os agentes das comunidades. “Nós temos ampliado essa capacitação para que o policial vá nesses locais e interaja com a comunidade”, afirmou.

O trabalho inclui ainda canais de denúncia, videomonitoramento e atuação dos serviços de inteligência.

“Nós não temos como estar em todos os locais ao mesmo tempo, mas estamos presentes com videomonitoramento, com o serviço de inteligência e com as comunidades ribeirinhas e rurais”, destacou.

Segundo o coronel, moradores dessas localidades possuem papel importante na identificação de movimentações suspeitas em rios, trilhas e áreas rurais. As informações são posteriormente analisadas pelo setor de inteligência e utilizadas para orientar as equipes.

“Essas comunidades são importantes porque estão vendo diariamente o que está acontecendo nessas trilhas e nesses rios. Essas informações são coletadas pela gente, passam pelo serviço de inteligência e, a partir daí, fazemos as apreensões e damos uma resposta para a comunidade”, concluiu.
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