Nessa terça-feira (29), a candidata a deputada federal pelo Acre Perpétua Almeida (PCdoB) apresentou, durante entrevista ao Juruá Notícias, propostas voltadas principalmente à industrialização, ao fortalecimento da agricultura familiar, à geração de empregos e à ampliação de oportunidades para a juventude.
Natural de Cruzeiro do Sul e ex-deputada federal, Perpétua também falou sobre sua atuação anterior e a experiência que teve na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
Ao falar sobre a campanha, a candidata avaliou que o atual período eleitoral tem sido diferente de disputas anteriores.
Está uma campanha mais leve. Muita gente tem chegado para mim dizendo: ‘Perpétua, na eleição passada eu não votei em você porque diziam que você estava eleita. Agora eu não vou mais deixar isso acontecer. A eleição só acontece depois que abre a urnar.”
Entre as principais bandeiras apresentadas, Perpétua destacou a industrialização da produção rural. Segundo ela, a experiência na ABDI permitiu acompanhar projetos voltados ao beneficiamento da produção, especialmente da cafeicultura no Vale do Juruá. A candidata afirmou que pretende ampliar esse modelo para outras cadeias produtivas caso seja eleita.
“Esse período agora que eu fiquei sem mandato, eu fui trabalhar numa empresa do governo federal, a ABDI, que é uma agência que cuida do desenvolvimento da indústria. E, quando eu cheguei lá, não tinha absolutamente nada para o Acre. Nunca foi desenvolvido um projeto no Acre, nem na Amazônia. Eu disse: ‘Mas como uma empresa que é do governo, criada para cuidar da indústria, nunca levou um centavo para o Acre?’ Foi aí que a gente começou um trabalho junto com a Coopercafé, que me convidou para uma reunião. Quando eu comecei a visitar as propriedades aí no Juruá, a reclamação das pessoas era a mesma: ‘Tinha o café, colhi o café, mas muito café estragava porque não tinha onde beneficiar’. Ali, andando naqueles cafezais, eu me lembrei que eu podia fazer alguma coisa.”
Perpétua conta que, durante esse período, percebeu que era possível levar a industrialização para dentro da agricultura familiar e do cooperativismo. Quando o projeto começou em parceria com a CooperCafé, havia cerca de 1 milhão de pés de café plantados em todo o Juruá. Segundo ela, ao deixar a ABDI para disputar a eleição para deputada federal, o número havia chegado a 6 milhões de pés de café plantados, além da implantação de quatro indústrias no Acre.
Em Mâncio Lima, uma das unidades, equipada com mais de 11 secadores e outros equipamentos, teria contribuído para transformar a realidade de produtores da região. Ela afirma ainda que o crescimento da atividade ajudou a movimentar a economia do município e melhorar as condições de vida de famílias que trabalham com o cultivo do café.
Com a expansão do plantio em Cruzeiro do Sul, a candidata afirma ter identificado a necessidade de ampliar a capacidade de beneficiamento e articulou a implantação de uma nova indústria no município. A unidade terá capacidade para chegar a 16 secadores, começando com sete. Segundo ela, também há uma indústria em fase de conclusão em Capixaba e outra com recursos já repassados e construção prevista para Epitaciolândia. As unidades estão vinculadas a cooperativas, sendo as duas do Juruá ligadas à CooperCafé e as duas do Vale do Acre à Cooperacre. Para ela, a chegada das indústrias representa mais desenvimento.
A candidata também defendeu a modernização das casas de farinha e a mecanização da agricultura familiar. Para ela, investimentos em equipamentos e beneficiamento podem aumentar a renda dos produtores e gerar novos postos de trabalho.
“Farinha não tá dando dinheiro. Mas por quê? Porque as casas de farinha são do tempo de antigamente. É preciso modernizar, é preciso mecanizar as casas de farinha e colocar equipamentos modernos na mão daqueles que vivem de plantar roça, de ter a sua farinha.”, afirmou.
Durante a entrevista, Perpétua também falou sobre políticas voltadas aos jovens. Ela citou uma iniciativa atribuída ao deputado estadual Edvaldo Magalhães relacionada ao primeiro emprego e defendeu que a discussão seja ampliada para o âmbito federal. A candidata propôs mecanismos que permitam aos jovens conciliar formação e uma primeira experiência profissional.
“Geração de emprego e renda, primeiro emprego para a juventude, mecanização da agricultura familiar e indústria serão minhas prioridades.”, declarou.
Na área da educação e qualificação profissional, Perpétua mencionou investimentos em laboratórios de análise de solo e defendeu maior integração entre universidades, institutos federais e as necessidades do mercado de trabalho. Ela defende que a aproximação entre as instituições de ensino e as necessidades do mercado de trabalho é fundamental.
Segundo a candidata, já foram destinados dois laboratórios de análise de solo para o Acre, um na Transacreana e outro no IFAC de Cruzeiro do Sul. As unidades, que estão em fase de conclusão, serão os únicos laboratórios desse tipo no estado e deverão ficar à disposição dos produtores. A proposta, afirma, é ampliar essa estrutura com novos laboratórios e equipamentos modernos, permitindo que universidades e institutos federais ofereçam aos estudantes uma formação mais próxima das demandas encontradas no mercado.
A ideia também envolve discutir com o Ministério da Educação e com instituições como UFAC e IFAC quais são as profissões e áreas de formação mais necessárias para o desenvolvimento do Acre. Para ela, o estado precisa aproximar a formação acadêmica das oportunidades existentes no mercado de trabalho, evitando que novos profissionais concluam os cursos sem perspectivas de emprego. O objetivo seria construir uma formação capaz de preparar os estudantes para ingressar mais rapidamente no mercado após a conclusão dos estudos.
Outro tema abordado foi o combate à violência contra as mulheres. A candidata defendeu ações de educação e medidas de punição para casos de violência e feminicídio. Ao comentar situações de agressão envolvendo jovens, afirmou que comportamentos violentos precisam ser enfrentados ainda durante a formação escolar.
“Quem está no governo do Acre, quem está à frente das instituições públicas, do Ministério da Justiça, do Tribunal de Justiça, da Assembleia Legislativa, quem está à frente dos mandatos, deputados federais e senadores, tem que fazer esse debate. As mulheres querem viver, e nacionalmente eu quero discutir isso na bancada. Nós temos que criar mecanismos, primeiro de educação e também de punição severa, para proteger a vida das mulheres.”
Nas considerações finais, Perpétua destacou sua origem no interior do Acre e disse que pretende manter uma atuação voltada aos produtores rurais e às comunidades do estado.
“Quando o campo não planta, a cidade não janta. Então eu quero reforçar o meu apoio aos produtores rurais do Acre, aqueles que botam comida na nossa mesa e a industrialização, que é quem vai gerar mais emprego no nosso Acre.”, afirmou.





