Projeto Acre Circular prevê ampliar reciclagem para 100 toneladas por mês em Cruzeiro do Sul

Cruzeiro do Sul recebeu, nesta quarta-feira (23), o lançamento do projeto Acre Circular: Resíduos que Transformam Realidades, iniciativa realizada com o Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal que busca ampliar a coleta, a triagem e o processamento de materiais recicláveis no município e em outras cidades do Acre.

Com investimento de R$ 2,3 milhões e execução prevista para 36 meses, o projeto vai fortalecer a estrutura da Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis do Vale do Juruá (COOPSUL), com aquisição de equipamentos e implantação de novas tecnologias para o aproveitamento dos resíduos.

A expectativa é aumentar em cerca de 60% a capacidade de processamento da cooperativa, que atualmente trabalha com aproximadamente 60 toneladas de materiais por mês e deverá chegar a 100 toneladas mensais. Ao longo da execução do projeto, a estimativa é retirar do descarte inadequado cerca de 3.600 toneladas de resíduos.

Entre os equipamentos previstos estão prensas enfardadeiras, esteira, triturador de plástico e vidro, notebooks, uma picape, um caminhão e estrutura para melhorias no galpão. O projeto também prevê a implantação de um sistema para fabricação de tijolos ecológicos a partir do vidro, permitindo que parte do material seja reutilizada na própria região.

A nova estrutura deve reduzir a necessidade de enviar resíduos para indústrias de outros estados, diminuindo custos de transporte e possibilitando agregar valor aos materiais coletados no Vale do Juruá.

Segundo o diretor-presidente da COOPSUL, Eutimar Sombra, atualmente a cooperativa atende 21 famílias e atua em três municípios. A capacidade de triagem ainda limita o aproveitamento dos materiais recolhidos.

“O objetivo desse projeto é chegar a 100 toneladas por mês e aumentar também a renda do nosso agente de reciclagem em 40% do que ele recebe hoje. Quando a gente tira esse material para a indústria fora do Acre, ele se torna muito caro. Com a fabricação de tijolos ecológicos e outros artefatos aqui dentro do município, vamos gerar mais emprego, mais renda, mais oportunidades e mais inclusão social”, afirmou.

Além do impacto econômico para os trabalhadores da reciclagem, a iniciativa pretende ampliar o aproveitamento de plástico, papel, metal e vidro, reduzindo o volume de materiais destinados ao descarte.

O projeto também amplia uma estrutura de apoio que já existe para a COOPSUL. Desde 2021, a cooperativa conta com um galpão utilizado para triagem e separação dos materiais, além de equipamentos disponibilizados por meio de parcerias institucionais.

O prefeito Zequinha Lima, que esteve presente para o lançamento do projeto, também destacou a importância da atividade para a redução do volume de resíduos encaminhados ao descarte e para a geração de renda entre os cooperados.

“Esse material que está aqui no galpão e do lado de fora era material que iria para o lixão. Hoje ele deixa de ir para lá e se transforma em renda para os cooperados e para as famílias que estão ligadas a esse trabalho”, afirmou.
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