Estudo aponta impacto de piso de R$ 6,5 mil para farmacêuticos no Acre

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomércio-AC) apresentou um estudo técnico sobre os possíveis impactos econômicos da criação de um piso salarial nacional de R$ 6,5 mil para farmacêuticos. A análise foi apresentada na terça-feira (15), em Rio Branco, a representantes do setor e do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Acre (Sincofac).

O levantamento avaliou a estrutura empresarial do comércio varejista farmacêutico, o mercado formal de trabalho, a remuneração dos profissionais e os possíveis efeitos da implementação do piso. Para isso, foram utilizados dados de órgãos como Receita Federal, Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), Ministério do Trabalho e Emprego, Conselho Federal de Farmácia (CFF), IBGE e Câmara dos Deputados.

Acre tem 473 estabelecimentos farmacêuticos

Segundo o estudo, o Acre tinha 473 estabelecimentos ativos no comércio varejista de produtos farmacêuticos em julho de 2026. O número representa cerca de 0,88% dos estabelecimentos ativos no estado.

Do total, 89,64% são optantes pelo Simples Nacional, indicando a predominância de micro e pequenas empresas no segmento.

Rio Branco concentra 194 farmácias, o equivalente a 41,01% do total estadual. Cruzeiro do Sul aparece na sequência, com 71 unidades, ou 15,01%. Juntos, os dois municípios concentram 55,02% dos estabelecimentos ativos do setor.

Remuneração média é inferior ao piso proposto

Dados da RAIS apontam que os estabelecimentos analisados possuíam 1.743 vínculos formais em dezembro de 2025. Desse total, 448 eram de farmacêuticos, sendo 254 em Rio Branco.

Em 2025, a remuneração média dos farmacêuticos no Acre foi de R$ 3.079,27. O valor é R$ 3.420,73 inferior aos R$ 6,5 mil previstos no Projeto de Lei nº 1.559/2021.

De acordo com o levantamento, a diferença corresponde a um aumento aproximado de 111,09% em relação à remuneração média registrada pela RAIS.

Simulação estima aumento no custo de contratação

O estudo também simulou os custos de contratação considerando empresas enquadradas no Simples Nacional. Na estimativa, foram considerados salário-base, FGTS, provisão para 13º salário e férias acrescidas do terço constitucional.

Com esses parâmetros, o custo mensal estimado por farmacêutico passaria de R$ 3.924,36 para R$ 8.283,89, uma diferença de R$ 4.359,53 por profissional ao mês.

A simulação não considera despesas que podem variar de acordo com cada empresa, como benefícios previstos em convenções coletivas, adicionais legais, horas extras, vale-transporte e assistência médica.

Levantamento avalia possíveis efeitos sobre emprego e preços

Entre os possíveis impactos analisados estão o aumento dos custos operacionais, a pressão sobre as margens de lucro, mudanças na gestão financeira e alterações nas decisões de contratação e investimento.

O estudo também aponta que uma elevação nos custos de mão de obra pode influenciar o ritmo de novas contratações, a reorganização das equipes e a busca por ganhos de produtividade.

Em relação aos preços, o levantamento considera que a concorrência pode limitar a possibilidade de repasse integral do aumento dos custos aos consumidores. Nesse cenário, parte das empresas poderia absorver o impacto pelas margens ou promover reajustes graduais, conforme as condições do mercado.

Fecomércio defende debate sobre valorização profissional e sustentabilidade

O superintendente da Fecomércio-AC, Luiz Pontes, afirmou que o estudo foi elaborado para contribuir com o debate sobre propostas que afetam o setor produtivo. Segundo ele, a análise busca mostrar como uma medida nacional pode repercutir em um mercado com características específicas, marcado pela presença de micro e pequenas empresas.

O presidente do Sincofac, Daniel Frach, afirmou que os dados permitem dimensionar os possíveis efeitos da proposta e destacou a importância do diálogo entre empresas e profissionais.

Já o economista responsável pelo estudo, William da Silva Pinto, disse que o levantamento procura apresentar elementos técnicos sobre a realidade econômica do Acre e avaliar possíveis impactos relacionados a custos, competitividade, margens e preços.

A Fecomércio-AC ressalta que os resultados apresentados não constituem uma previsão definitiva. Segundo a entidade, os impactos dependerão do texto final que eventualmente seja aprovado pelo Legislativo, além das condições econômicas, do ambiente concorrencial e da capacidade de adaptação de cada empresa.

Nas considerações finais, o estudo reconhece a importância da valorização dos farmacêuticos e da busca por condições adequadas de remuneração, mas aponta que eventuais mudanças salariais também devem considerar as diferenças regionais, a capacidade financeira das empresas e possíveis reflexos sobre emprego, competitividade, custos e preços ao consumidor.

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