O governo da China afirmou nesta quinta-feira (17) que mantém o princípio de não interferência nos assuntos internos de outros países e desejou que as eleições brasileiras de 2026 ocorram de forma estável. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, durante uma coletiva de imprensa.
O posicionamento ocorreu após questionamentos sobre as recentes medidas e declarações dos Estados Unidos relacionadas ao Brasil e seus possíveis reflexos no processo eleitoral. Guo foi questionado sobre as críticas de Washington à atuação do governo brasileiro no combate ao crime organizado e sobre a proximidade das eleições.
“A China mantém o princípio de não interferência nos assuntos internos de outros países. Desejamos que as eleições brasileiras transcorram de maneira estável e tranquila”, afirmou o porta-voz.
Durante a coletiva, Guo também comentou a relação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping. Segundo ele, os dois governos mantêm comunicação próxima e a relação entre Brasil e China avançou nos últimos anos.
A manifestação ocorreu após a visita do assessor especial de Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, à China. Durante a passagem por Pequim, Amorim entregou uma carta de Lula ao governo chinês e se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi.
Guo afirmou que, sob a orientação dos dois presidentes, as relações entre os países passaram por avanços e destacou o que classificou como um alto nível de confiança política entre os governos.
As declarações acontecem em meio às discussões sobre soberania e possíveis interferências estrangeiras no processo eleitoral brasileiro. Lula afirmou nesta quarta-feira (16) que havia alertado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para não interferir nas eleições do Brasil.
O tema também deve aparecer no discurso de Lula na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, previsto para 22 de setembro. A expectativa é que o presidente aborde a não interferência estrangeira em assuntos internos de outros países.





