O El Niño continua se fortalecendo e apresenta mais de 90% de probabilidade de atingir a categoria de intensidade “muito forte” entre a primavera e o início do verão. Monitoramentos oficiais também indicam que o fenômeno climático pode persistir pelo menos até o primeiro semestre de 2027.
Análises recentes das temperaturas da superfície do mar no Pacífico equatorial mostram um aquecimento mais intenso nos setores próximos à América do Sul. Nessas áreas, as temperaturas chegam a ficar entre 2,8°C e 3,7°C acima do padrão observado.
De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o comportamento da atmosfera confirma o acoplamento entre o oceano e a atmosfera, com alterações nos ventos e na convecção tropical.
Para acompanhar a evolução do fenômeno, a NOAA utiliza o Índice Oceânico Relativo do Niño (RONI). Entre junho e agosto de 2026, o indicador registrou 1,4°C, sinalizando uma trajetória de elevação para os próximos meses.
Fenômeno pode superar eventos históricos
As projeções indicam que o atual episódio de El Niño pode alcançar uma intensidade histórica. A NOAA estima em 75% a probabilidade de o fenômeno superar a intensidade dos eventos registrados desde 1950 durante o trimestre de outubro a dezembro de 2026.
Um dos principais parâmetros de comparação é o El Niño de 2015/2016, considerado um dos mais intensos das últimas décadas. Naquele episódio, o RONI permaneceu acima de 2°C por vários trimestres e atingiu pico de 2,3°C.
Apesar das projeções, especialistas ressaltam que ainda não é possível confirmar que o atual fenômeno estabelecerá um recorde absoluto. Os dados, porém, apontam uma probabilidade elevada de que ele esteja entre os episódios mais intensos da série histórica.
Efeitos podem chegar a 2027
As estimativas indicam que o El Niño deve permanecer ativo pelo menos até o trimestre de março a maio de 2027.
A possibilidade de retorno às condições de neutralidade climática passa a ser predominante apenas no trimestre de abril a junho de 2027, quando essa condição alcança 55% de probabilidade.
Com isso, o fenômeno deve influenciar o clima durante toda a primavera, o verão e parte do outono no Hemisfério Sul.
Possíveis reflexos no Brasil
No Brasil, um El Niño de grande intensidade está associado à possibilidade de chuvas acima da média na Região Sul, períodos mais secos em setores da Região Norte e maior frequência de episódios de calor intenso.
Os meteorologistas, entretanto, alertam que a intensidade do fenômeno não significa necessariamente que todas as regiões do país registrarão eventos extremos. Os efeitos variam conforme as características atmosféricas e climáticas de cada área.





