Presidente da Colômbia afirma ter realizado mais de 17 mil prisões em 36 dias

O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, afirmou que as forças de segurança do país realizaram 17.147 prisões nos primeiros 36 dias de seu governo. O balanço foi apresentado nesta segunda-feira (14), durante pronunciamento à nação.

Segundo o presidente, desde 7 de agosto, quando assumiu o cargo, as forças de segurança também atingiram 24 líderes das principais estruturas que o governo classifica como “narcoterroristas”. Do total, 19 foram capturados e cinco morreram durante operações policiais e militares.

“Desde 7 de agosto, foram realizadas 17.147 prisões. São mais de 17 mil prisões em apenas 36 dias de governo”, afirmou De la Espriella.

O presidente também determinou uma análise da situação de pessoas privadas de liberdade que estão mantidas em instalações militares ou delegacias. Segundo ele, deverão ser transferidos os detentos que estiverem nesses locais sem cumprir os requisitos legais para permanecerem ali.

Ofensiva contra grupos criminosos

De la Espriella assumiu a Presidência com a promessa de abandonar a estratégia de negociações de paz adotada pelo governo anterior, de Gustavo Petro, e ampliar as operações contra organizações armadas e criminosas.

A ofensiva inclui ações militares contra grupos financiados pelo narcotráfico, pela mineração ilegal e pela extorsão. Nas últimas semanas, o governo realizou três bombardeios contra acampamentos de guerrilheiros na Amazônia e na região de fronteira com a Venezuela.

As operações deixaram pelo menos 42 mortos, entre eles seis menores de idade. A presença de crianças e adolescentes entre as vítimas levou a Justiça colombiana a estabelecer restrições aos bombardeios.

No último mês, decisões judiciais determinaram que as Forças Armadas suspendam ataques quando houver informações sobre a presença de menores nas áreas que seriam alvo das operações.

A Justiça também ordenou a retirada das redes sociais de vídeos que exibem cadáveres de supostos criminosos mortos pelas forças de segurança e determinou a interrupção de testes de pulverização aérea de plantações de drogas.

De la Espriella afirmou no domingo (13) que respeita as decisões judiciais, mas pretende contestá-las.

Governo prepara legislação antiterrorismo

O governo colombiano também prepara uma proposta para classificar guerrilheiros, narcotraficantes e outras organizações criminosas como terroristas.

A medida deverá ser encaminhada ao Congresso e prevê a criação de um marco jurídico específico para definir o terrorismo e estabelecer instrumentos de combate aos grupos enquadrados nessa categoria.

O ministro do Interior, Rodrigo Lara, afirmou que trabalha na elaboração de um “estatuto antiterrorista”.

Durante o pronunciamento, De la Espriella também diferenciou manifestações pacíficas de atos violentos. Segundo ele, protestos realizados dentro dos limites constitucionais serão respeitados, mas ações contra forças de segurança e a população civil não serão consideradas manifestações.

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