Arqueólogos revelaram em Roma o que pode ser o maior mosaico de parede já encontrado no mundo romano. A descoberta, localizada sob o Monte Ópio, faz parte de um projeto de restauração que durou 14 anos e também recuperou um elaborado afresco de aproximadamente 2 mil anos.
Batizado de “Grande Mosaico”, o painel tem cerca de 10 metros de altura e 16 metros de comprimento. Os especialistas ainda realizam escavações para determinar sua extensão total.
A estrutura fica próxima ao local onde o imperador Nero construiu a Casa Dourada, entre os anos 64 e 68 d.C. Ainda não está claro, porém, se o mosaico fazia parte originalmente do complexo imperial ou se pertencia a uma residência privada posteriormente incorporada às instalações de Nero.
Em 109 d.C., durante o governo do imperador Trajano, a área foi transformada em um grande complexo de termas públicas. Tanto o mosaico quanto o afresco conhecido como “Cidade Pintada” teriam servido como elementos decorativos para os frequentadores do local.
O mosaico começou a ser descoberto durante escavações realizadas na década de 1990. Parte da estrutura não pôde ser recuperada, mas o trecho preservado apresenta uma representação colorida de uma cidade portuária murada, vista de cima, com praças, torres e diferentes cenas do cotidiano.
Entre os detalhes estão personagens que parecem observar o movimento do porto, incluindo um filósofo barbudo em tamanho natural, sua musa, estátuas e um jovem poeta. A composição também apresenta um palco teatral decorado com colunas, guirlandas e elementos vegetais.
Mármore azul e branco e pedras preciosas foram utilizados na composição, criando efeitos que lembram o reflexo da luz do sol sobre o mar. Tons de azul e terracota, embora desgastados pelo tempo, ainda podem ser identificados na obra.
Os arqueólogos ainda não conseguiram determinar se a cidade representada existiu de fato ou se é uma criação imaginária. Segundo os especialistas, nenhuma cidade conhecida apresenta exatamente as mesmas características retratadas no mosaico.
Nas proximidades, outro achado também chama a atenção: o afresco da “Cidade Pintada”. A obra, com cerca de 10 metros quadrados, também foi descoberta nas escavações da década de 1990 e passou recentemente por restauração.
Datado do século I d.C., o afresco apresenta uma cidade murada, com um portão que dá acesso ao porto, ruas, um teatro e um templo. A riqueza de detalhes faz com que a pintura seja considerada importante para compreender a representação de cidades na Roma Antiga.
As escavações continuam. Uma das áreas que os arqueólogos trabalham para revelar apresenta cenas relacionadas à colheita de uvas e à produção de vinho.
Todo o complexo arqueológico ocupa aproximadamente 60 mil metros quadrados e inclui as ruínas das Termas de Trajano e uma grande parede semicircular de contenção, conhecida como êxedra. A estrutura possui nichos embutidos e indica que o espaço também pode ter funcionado como uma antiga biblioteca.
Para permitir a visitação, foram instaladas passarelas e um sistema de iluminação destinado a destacar os detalhes do mosaico e do afresco. O local também deverá receber lançamentos de livros, em uma referência à possível função da área como biblioteca na Antiguidade.
Durante a inauguração do espaço restaurado, o prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, destacou a importância de devolver o patrimônio arqueológico à população e classificou a descoberta como uma obra única.





