Professor da Ufac lança livro sobre teatro e saberes da floresta na Bienal de São Paulo

O professor Flávio da Conceição, da Universidade Federal do Acre (Ufac), lança nesta sexta-feira (11) o livro “Teatro do Oprimido e as Pedagogias das Florestas”, durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

A obra reúne textos de pesquisadores brasileiros e latino-americanos e propõe um diálogo entre o trabalho do dramaturgo Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido, e os conhecimentos produzidos por povos originários e comunidades tradicionais da Amazônia.

Segundo Flávio, o livro é resultado de cerca de dez anos de pesquisas desenvolvidas no curso de Teatro da Ufac. Natural do Rio de Janeiro, ele chegou ao Acre levando consigo a metodologia do Teatro do Oprimido e, ao entrar em contato com diferentes manifestações da cultura acreana, passou a repensar sua maneira de compreender o teatro e a arte.

“Para mim é muito importante essa participação, pois esse livro é o resultado de dez anos de pesquisa dentro do curso de teatro da Ufac no Acre. Eu sou do Rio de Janeiro e cheguei no Acre com a metodologia do Teatro do Oprimido. Quando entrei em contato com a cultura acreana, dos povos da floresta, das comunidades tradicionais e religiões onde a floresta é percebida como uma professora, mudei minha perspectiva sobre teatro e arte como um todo”, afirmou.

Floresta como espaço de aprendizagem

A publicação busca adaptar os princípios do Teatro do Oprimido à realidade amazônica e apresenta uma perspectiva em que a floresta não é apenas o cenário das atividades educativas e artísticas, mas também um espaço de aprendizagem e um sujeito capaz de produzir conhecimento.

O livro aproxima ainda o teatro de discussões relacionadas ao meio ambiente e destaca relações de reciprocidade, diversidade e cuidado presentes nos ecossistemas florestais e nos modos de vida de povos e comunidades tradicionais.

“Então, o livro é esse resultado do contato com o povo acreano que mudou minha forma de ver o mundo”, destacou o professor.

A obra já havia sido apresentada no Rio de Janeiro, durante a 12ª Jornada Internacional de Teatro do Oprimido e Universidade (Jitou). A publicação parte do legado de Augusto Boal e amplia a discussão a partir das experiências e dos conhecimentos produzidos na Amazônia.

Conhecimento produzido no Acre

Para Flávio, levar a obra à Bienal de São Paulo também representa uma oportunidade de apresentar fora da região Norte parte do conhecimento produzido no Acre.

“A participação na Bienal é importante porque estou compartilhando minha experiência em contato com a cultura acreana e amazônica para fora da região Norte, mostrando que o Acre também produz conhecimento. No Acre temos uma riqueza cultural, espiritual e ecológica e isso o Brasil precisa conhecer”, afirmou.

As chamadas “Pedagogias das Florestas” são apresentadas no livro como uma forma de pensar a educação e a criação artística a partir de relações menos centradas exclusivamente no conhecimento humano e mais conectadas aos vínculos entre pessoas, território e natureza.

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