Os Estados Unidos registraram, em 2026, o maior número de casos de sarampo desde que a doença foi declarada eliminada no país, em 2000. O avanço do surto ocorre após a confirmação, nesta terça-feira (25), das duas primeiras mortes de norte-americanos pela doença neste ano.
As duas vítimas eram da Pensilvânia e não haviam sido vacinadas contra o sarampo. Os óbitos também representam as primeiras mortes provocadas pela doença no estado em 35 anos.
O condado de Lancaster, onde as vítimas moravam, tornou-se um dos principais focos de disseminação do vírus. Mais de 390 pessoas foram infectadas na região, sendo cerca de um terço crianças. Pelo menos 70 pacientes precisaram ser internados.
Em comunicado, a secretária de Saúde da Pensilvânia, Debra Bogen, lamentou as mortes e reforçou a importância da vacinação.
“Meus mais profundos sentimentos estão com os entes queridos que estão enfrentando essa perda inimaginável. Como médica, quero garantir que as pessoas entendam que a vacina MMR é segura e oferece a melhor proteção que temos contra o sarampo”, afirmou.
A vacina MMR, conhecida no Brasil como tríplice viral, protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
Cobertura vacinal em queda
O avanço da doença ocorre em meio à redução das taxas de vacinação infantil de rotina nos Estados Unidos. Dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) apontam que aproximadamente uma em cada cinco pessoas não vacinadas que contraem sarampo precisa ser hospitalizada.
Entre as crianças, os riscos são ainda maiores. Cerca de três em cada mil crianças infectadas morrem em decorrência de complicações provocadas pelo sarampo.
A doença pode causar pneumonia e complicações neurológicas. Aproximadamente uma em cada 20 crianças infectadas desenvolve pneumonia, considerada a principal causa de morte relacionada ao sarampo. Em casos mais graves, o vírus também pode provocar inflamação no cérebro, levando a consequências como perda auditiva permanente e deficiência intelectual.
O cenário preocupa autoridades de saúde porque o sarampo é uma doença altamente contagiosa e pode voltar a se espalhar rapidamente em comunidades com baixa cobertura vacinal.





