O ex-oficial de segurança sírio Atef Najib, primo do ex-presidente Bashar al-Assad, foi condenado à morte por um tribunal da Síria nesta terça-feira (11), junto com o próprio Assad e seu irmão, Maher al-Assad, por crimes contra a humanidade cometidos durante a Guerra Civil Síria.
Aos 66 anos, Najib era chefe da segurança política da província de Daara, no sul do país, região considerada o berço da revolta popular que deu início ao conflito em 2011.
Segundo as autoridades sírias, ele teve papel central na repressão aos protestos contra o regime. Um dos episódios mais conhecidos ocorreu quando adolescentes foram presos após escrever mensagens críticas ao governo em muros da cidade. Os jovens teriam sido submetidos a tortura, provocando revolta popular e uma onda de manifestações que acabaram desencadeando a guerra civil.
O Quarto Tribunal Penal da Síria concluiu que os atos praticados em Daara configuraram crimes contra a humanidade. A Justiça considerou Najib responsável por torturas, assassinatos e violações contra presos, incluindo crianças.
No total, o ex-chefe de segurança foi condenado por dez crimes relacionados aos acontecimentos de 2011 e apontado como um dos responsáveis pelo massacre ocorrido na província naquele período.
Após a queda do regime de Bashar al-Assad e o fim da guerra civil em 2024, Najib foi preso em janeiro de 2025 durante uma operação conduzida pelo novo governo sírio, liderado pelo presidente Ahmed al-Sharaa.
A condenação é considerada histórica por ser uma das primeiras decisões judiciais contra integrantes do alto escalão do antigo regime sírio desde o encerramento do conflito, que durou 13 anos.





