A Polícia Federal (PF) apontou que recursos desviados por meio de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foram utilizados para a compra de veículos de luxo por integrantes e pessoas ligadas à Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
Segundo as investigações, o esquema teria movimentado mais de R$ 708 milhões. Parte dos valores era direcionada para empresas consideradas de fachada no Distrito Federal e em São Paulo, que, de acordo com a PF, foram usadas para lavar dinheiro proveniente das fraudes.
Entre os veículos identificados estão modelos como Porsche 718 Boxster, BMW X5, Ford Mustang, Land Rover Defender, Chevrolet Camaro, Mitsubishi Triton Sport e Pajero Sport. As empresas envolvidas funcionariam em endereços com estruturas consideradas incompatíveis com a movimentação financeira registrada.
A PF informou que empresas ligadas ao grupo teriam lavado mais de R$ 304 milhões dos valores desviados. Em um galpão localizado em Presidente Prudente (SP), os agentes encontraram cerca de 40 veículos que seriam mantidos pelo esquema.
As investigações também apontam que automóveis teriam sido utilizados como vantagem indevida para servidores públicos. Conforme o inquérito, o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, recebeu uma Toyota Hilux SW4 avaliada em R$ 464 mil. Já o ex-diretor de Benefícios do INSS, André Paulo Félix Fidelis, teria recebido um Volkswagen T-Cross registrado inicialmente em nome de terceiros.
Mensagens interceptadas pela PF indicam ainda conversas sobre a aquisição de veículos de alto padrão para o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes. Os diálogos mencionam a busca por modelos mais luxuosos, incluindo veículos da marca Porsche.
Durante a Operação Sem Desconto, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de dezenas de veículos ligados aos investigados. Além dos carros de passeio, caminhões e outros bens também foram apreendidos. A PF informou ainda ter identificado tentativas de transferência de aeronaves executivas para evitar eventual confisco judicial.
A investigação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) e deverá ser analisada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá sobre a apresentação de denúncias contra os investigados.
Segundo a PF, a Conafer possuía estrutura organizada com divisão de funções e núcleos de atuação, motivo pelo qual foi caracterizada como organização criminosa. Ao todo, dezenas de pessoas foram indiciadas pelos crimes de corrupção e organização criminosa.





