Macron convoca reunião de crise enquanto incêndios florestais ameaçam Bordeaux e nova onda de calor preocupa Europa

O presidente da França, Emmanuel Macron, convocou uma reunião de crise para esta segunda-feira (27) diante do avanço dos incêndios florestais que ameaçam a cidade de Bordeaux, no sudoeste do país.

As chamas estão a cerca de 15 quilômetros da cidade, que possui aproximadamente 850 mil habitantes. Apesar da proximidade do fogo, o prefeito Thomas Cazenave afirmou que, até o momento, não há planos para evacuar a população urbana.

A situação pode se agravar nos próximos dias com a chegada de uma nova onda de calor. As previsões meteorológicas indicam temperaturas próximas dos 40°C em algumas regiões francesas a partir de terça-feira (28), o que deve dificultar ainda mais o trabalho das equipes de combate.

O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, classificou o cenário como “muito desfavorável”, afirmando que o incêndio avança de forma imprevisível em direção à cidade.

Segundo a Federação Nacional dos Bombeiros da França (FNSPF), o principal incêndio na região de Gironde provocou um raro fenômeno conhecido como “pirocumulonimbus”, uma gigantesca tempestade de fogo alimentada pelo próprio calor das chamas, pelos ventos gerados pelo incêndio e por descargas elétricas.

“O comportamento do fogo muda constantemente. Não conseguimos combatê-lo diretamente”, explicou o porta-voz da entidade, Eric Brocardi.

Desde o início da crise, mais de 220 mil pessoas foram evacuadas no sudoeste francês. Cerca de 42 mil hectares já foram destruídos pelo fogo na região, em um dos maiores incêndios florestais registrados no país desde a Segunda Guerra Mundial. Em todo o território francês, aproximadamente 98 mil hectares foram consumidos pelas chamas em 2026.

A Espanha também enfrenta uma grave emergência. Um novo incêndio próximo à cidade costeira de Valência obrigou cerca de 15 mil moradores a deixarem suas casas. No país, mais de 90 mil pessoas foram evacuadas das regiões de Madri e Ávila.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou áreas atingidas e alertou para a gravidade da situação.

“Horas difíceis estão por vir”, declarou.

O rei Felipe VI também percorreu abrigos de emergência e afirmou que os incêndios causaram danos “incalculáveis” ao patrimônio natural espanhol.

De acordo com o Ministério da Transição Ecológica da Espanha, aproximadamente 77 mil hectares foram atingidos pelas chamas. O incêndio na província de Ávila já é considerado o maior da história recente do país.

Somando França e Espanha, mais de 330 mil pessoas foram retiradas de suas residências nos últimos dias devido ao avanço dos incêndios, considerados os mais severos enfrentados pela Europa neste verão.

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