O Sindicato dos Médicos do Estado do Acre (Sindmed-AC) divulgou relatório de uma visita técnica realizada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) instalada nas dependências do Into/Fundhacre, em Rio Branco, apontando problemas relacionados à estrutura, recursos humanos, abastecimento de materiais e organização assistencial da unidade.
A inspeção ocorreu no dia 10 de julho e foi conduzida pelos médicos Katia Fernanda Constância e Osvaldo de Sousa Leal Junior. Segundo o documento, a UTI foi criada de forma provisória durante as obras de reforma da unidade da Fundhacre, mas continuou em funcionamento após a conclusão dos serviços, utilizando o mesmo Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e atuando como extensão da estrutura original.
Entre os principais problemas identificados está a insuficiência de profissionais especializados. De acordo com o relatório, desde a implantação da unidade existem dificuldades para completar as escalas médicas, exigindo a realização frequente de plantões extras. Também foram relatados problemas nas equipes de fisioterapia e enfermagem.
A situação mais crítica envolve a fisioterapia. Conforme o sindicato, desde 1º de julho não foi possível completar a escala de fisioterapeutas, mesmo com convocações emergenciais e pagamento de plantões extras. A falta desses profissionais teria provocado a desativação de sete leitos, reduzindo a capacidade da unidade de 17 para apenas 10 leitos em funcionamento.
Falta de medicamentos e materiais
O relatório também registra dificuldades no abastecimento de medicamentos e materiais hospitalares. Entre os problemas apontados estão episódios de falta de antibióticos, restrições no uso de determinados medicamentos devido à baixa disponibilidade em estoque e escassez de itens como lençóis, capotes, máscaras e cobertores.
Na área de apoio diagnóstico, profissionais relataram demora na realização e liberação de exames laboratoriais, além de falhas frequentes em equipamentos de imagem, com períodos de indisponibilidade e qualidade considerada insatisfatória dos exames radiológicos.
Problemas administrativos e de regulação
O Sindmed-AC também destacou dificuldades relacionadas à gestão compartilhada entre a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) e a Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre). Segundo o documento, a falta de definição clara sobre as responsabilidades na manutenção e substituição de equipamentos teria contribuído para atrasos na solução de problemas estruturais.
Outro ponto citado foi o fluxo regulatório de pacientes. Conforme o relatório, profissionais relataram o encaminhamento de pacientes infartados para a UTI do Into, embora considerem que esses casos deveriam ser inicialmente estabilizados no Pronto-Socorro de Rio Branco. O documento informa ainda que cerca de 75% dos pacientes internados na unidade são oriundos do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb).
Ao final da inspeção, o sindicato apontou fragilidades relacionadas à falta de profissionais especializados, fechamento de leitos, dificuldades no fornecimento de insumos, limitações estruturais, falhas no apoio diagnóstico e dificuldades de acesso a especialistas, fatores que, segundo a entidade, podem impactar a assistência prestada aos pacientes internados.






