Uma força-tarefa formada pelo Conselho Tutelar de Boca do Acre (AM), pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e pela Polícia Militar percorreu mais de 350 quilômetros, além de cerca de 50 quilômetros de ramal, para atender uma ocorrência envolvendo suspeitas de graves violações de direitos de crianças em uma comunidade de difícil acesso na região de Sena Madureira.
A localidade está situada em território acreano, mas integra a área de jurisdição de Boca do Acre, exigindo atuação conjunta entre órgãos dos dois estados.
A operação foi realizada nos dias 14 e 15 de julho. Durante o deslocamento, as equipes enfrentaram estradas em condições precárias e, em alguns trechos, precisaram seguir a pé para chegar à residência onde estavam as crianças.
Segundo os órgãos envolvidos, foram constatadas condições de extrema vulnerabilidade social. As crianças não possuíam documentação civil, estavam fora da escola e não havia comprovação de acompanhamento regular de saúde. Também foram identificadas condições precárias de moradia.
Diante da situação, o Conselho Tutelar aplicou a medida de acolhimento institucional prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Três crianças foram encaminhadas ao Abrigo Institucional Raimunda Aparecida da Silva, onde passaram a receber atendimento especializado.
O caso foi encaminhado ao Poder Judiciário, que acompanhará o processo e avaliará as medidas necessárias para garantir a proteção integral das crianças, incluindo a análise da situação familiar.
A ação contou ainda com o apoio do Conselho Tutelar de Sena Madureira, cuja participação auxiliou na articulação entre os órgãos responsáveis pela proteção da infância na região.
O caso evidencia os desafios enfrentados pela rede de proteção na Amazônia, onde longas distâncias, dificuldades de acesso e comunidades isoladas tornam mais complexa a apuração de denúncias e o atendimento de situações de risco envolvendo crianças e adolescentes.






