Banana grande fica mais escassa em Cruzeiro do Sul e mercados apontam exportação como principal causa

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A banana grande, um dos produtos mais consumidos pelas famílias do Vale do Juruá, está cada vez mais difícil de ser encontrada em Cruzeiro do Sul. Comerciantes e produtores ouvidos pela reportagem afirmam que a maior parte da produção está sendo direcionada para outros estados, onde o produto alcança preços mais atrativos, reduzindo a oferta no mercado local.

Segundo Gustavo Silva Benjamin, encarregado de frios do Super Econômico, a dificuldade para abastecer as prateleiras já é uma realidade enfrentada pelos comerciantes.

Foto: Gustavo Silva Benjamin – Encarregado de Frios do Super Econômico

De acordo com Gustavo, a procura continua alta, mas os produtores têm preferido vender para compradores de fora da região.

“Estamos encontrando dificuldades para trazer a banana grande regional. Pelo que sabemos, muitos produtores estão exportando para outros mercados, onde conseguem um valor melhor. Mesmo assim, estamos conseguindo manter o produto na loja e não aumentamos o preço para os clientes”, afirmou.

A situação também é percebida no Supermercado Cameli. O encarregado do setor de hortifruti, Franco Júnior, relata que a escassez obrigou o estabelecimento a buscar fornecedores de outras regiões do país.

Foto: Franco Júnior – Encarregado do Hortifruti do Supermercado Cameli Avenida

Segundo ele, o cenário é diferente dos anos anteriores.

“Este ano estamos enfrentando um problema que não existia antes. Muitos produtores estão exportando a banana para Porto Velho, São Paulo e outros mercados. Chegamos a passar quatro ou cinco dias sem o produto. Tivemos que buscar banana de fora para não deixar os clientes sem opção”, explicou.

Franco destaca que, apesar do aumento dos custos e da dificuldade de abastecimento, o supermercado tem procurado manter os preços estáveis.

“Recebemos reclamações de clientes perguntando se a alta era por causa do verão, mas o principal motivo é a exportação da produção local. Estamos trazendo banana de São Paulo para complementar o abastecimento e evitar aumentos maiores”, acrescentou.

Do lado dos produtores, a decisão de vender para compradores de fora tem explicação econômica. O produtor Geraldo Cruz, que acompanha a comercialização da produção familiar, afirma que a venda para outros mercados oferece mais praticidade e reduz despesas com transporte.

Foto: Geraldo Cruz – Produtor Rural

Segundo ele, levar a banana até Cruzeiro do Sul exige tempo, combustível e custos adicionais, enquanto compradores externos retiram a produção diretamente na propriedade.

“Eles entregam na porta. A gente tira do roçado e coloca na beira da estrada, o comprador vem buscar e paga na hora. Para trazer para a cidade, às vezes são dois dias de viagem, um para vir e outro para voltar. Acaba compensando mais vender direto para quem compra para fora”, explicou.

Apesar da percepção de escassez nos mercados, Geraldo afirma que a produção em sua propriedade não diminuiu.

“Pelo contrário, estamos produzindo mais banana. O que mudou foi a forma de comercialização”, destacou.

Com parte da produção local deixando o Vale do Juruá em direção a outros estados, comerciantes alertam que a tendência é de que a banana grande continue enfrentando períodos de menor oferta em Cruzeiro do Sul, principalmente durante os meses de maior demanda.

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