Risco de “super El Niño” aumenta e pode provocar eventos climáticos extremos na América do Norte

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Cientistas alertam que o fenômeno climático El Niño, responsável por elevar as temperaturas globais, pode atingir intensidade excepcional nos próximos meses. De acordo com previsões meteorológicas, há 63% de probabilidade de que as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico ultrapassem 2°C acima da média ainda este ano, cenário classificado como um “super El Niño”.

O fenômeno ocorre quando as águas superficiais do Pacífico permanecem pelo menos 0,5°C acima do normal durante vários meses consecutivos. Quando essa diferença ultrapassa 2°C, os impactos costumam ser mais severos e abrangentes.

Sul dos Estados Unidos deve enfrentar mais chuvas e tempestades

Especialistas apontam que os estados do sul dos Estados Unidos tendem a registrar aumento das chuvas durante eventos de El Niño. Embora isso possa aliviar regiões afetadas pela seca, também aumenta o risco de enchentes.

Outro efeito esperado é a maior frequência dos chamados “rios atmosféricos”, grandes corredores de vapor de água na atmosfera que podem provocar chuvas intensas e ventos fortes, especialmente na costa oeste norte-americana durante o inverno.

Meteorologistas também preveem aumento na ocorrência de tempestades em diversas áreas do sul do país.

Norte dos EUA e Canadá podem ter clima mais quente e seco

Enquanto o sul enfrenta mais precipitações, as regiões do norte dos Estados Unidos, o noroeste do Pacífico e grande parte do Canadá devem registrar temperaturas acima da média e redução das chuvas.

O deslocamento das correntes atmosféricas para o sul favorece condições mais secas, além da redução da neve em áreas montanhosas, incluindo as Montanhas Rochosas.

No Canadá, os efeitos costumam ser mais perceptíveis no final do ano, resultando em um inverno mais ameno. Em eventos muito fortes, o aquecimento pode alcançar até as províncias do leste do país.

Menos furacões no Atlântico e mais atividade no Pacífico

Os primeiros impactos do El Niño já podem ser observados na temporada de furacões do Atlântico.

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), as condições atmosféricas associadas ao fenômeno dificultam a formação de ciclones tropicais na região, tornando a temporada potencialmente mais fraca que a média.

Por outro lado, o Oceano Pacífico deve registrar aumento da atividade ciclônica devido ao aquecimento das águas, afetando principalmente a costa oeste do México e elevando também o risco para o Havaí.

Possíveis impactos na saúde pública

Pesquisadores destacam que mudanças climáticas associadas ao El Niño podem favorecer a proliferação de mosquitos e outros vetores de doenças.

Durante o forte episódio registrado entre 2015 e 2016, houve aumento de surtos de doenças como o vírus do Nilo Ocidental e outras enfermidades transmitidas por animais em algumas regiões dos Estados Unidos.

Agricultura e preços dos alimentos podem ser afetados

O setor agrícola também pode sentir os efeitos do fenômeno.

A redução das chuvas em áreas produtoras do Meio-Oeste dos Estados Unidos pode prejudicar culturas importantes e afetar cadeias de abastecimento. Já o excesso de chuva em estados do sul pode impactar plantações de algodão e trigo.

Por outro lado, algumas regiões agrícolas podem se beneficiar do aumento da umidade, favorecendo determinadas lavouras.

Mudanças climáticas podem intensificar eventos futuros

Embora a relação exata entre as mudanças climáticas e o El Niño ainda seja estudada, especialistas concordam que eventos fortes tendem a se tornar mais frequentes ao longo deste século.

A Organização Meteorológica Mundial já alertou que o atual episódio pode intensificar secas, ondas de calor e chuvas extremas em várias partes do planeta.

O último “super El Niño”, registrado entre 2015 e 2016, contribuiu para recordes globais de temperatura e provocou eventos climáticos severos em diversas regiões do mundo.

Meteorologistas seguem monitorando a evolução do fenômeno, que poderá influenciar o clima, a economia e a saúde pública de milhões de pessoas nos próximos meses.

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