Uma investigação divulgada nesta segunda-feira (15) aponta que os ataques incendiários contra imóveis e um veículo ligados ao primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, podem ter feito parte de uma operação de sabotagem coordenada por agentes russos com o objetivo de provocar instabilidade e ampliar divisões sociais no país.
O caso ganhou repercussão após a condenação de Roman Lavrynovych, de 22 anos, e Stanislav Carpiuc, de 27, por conspiração para cometer incêndios criminosos contra propriedades associadas ao chefe de governo britânico. Um terceiro acusado, Petro Pochynok, de 35 anos, foi absolvido.
De acordo com a apuração, os ataques teriam sido coordenados por um homem identificado apenas pelas iniciais “EL”, que recrutava pessoas por meio do aplicativo Telegram e oferecia pagamentos para a execução de ações criminosas. Mensagens analisadas durante a investigação indicam que o suspeito também teria prometido cidadania russa em troca da realização de determinados atos.
Os indícios levantados apontam para Evgeny Lyukshin, de 23 anos, filho de um diplomata russo e ligado ao Ministério das Relações Exteriores da Rússia. Segundo a investigação, ele teria participado de grupos de propaganda pró-Kremlin e recebido treinamento relacionado à chamada guerra de informação. O suspeito não respondeu aos questionamentos feitos pelos investigadores.
Além dos incêndios, a operação teria envolvido a criação de grupos falsos nas redes sociais para incentivar vandalismo, disseminar discursos extremistas e aumentar tensões entre diferentes comunidades no Reino Unido. As páginas promoviam mensagens anti-imigração, conteúdos islamofóbicos e até ofertas de pagamento para pichações e outros atos de provocação.
A investigação também identificou campanhas de desinformação relacionadas aos ataques, incluindo a divulgação de informações falsas sobre os suspeitos e sobre as motivações do crime, conteúdos que posteriormente foram compartilhados por perfis de extrema direita.
Os ataques ocorreram em propriedades ligadas a Keir Starmer, incluindo um veículo que anteriormente pertencia ao primeiro-ministro, um imóvel onde ele morou e uma residência atualmente ocupada por familiares.
Autoridades britânicas afirmam que as ações tinham potencial para intimidar o primeiro-ministro e atingir diretamente instituições do Estado. Apesar disso, a polícia antiterrorismo informou que ainda não possui provas suficientes para confirmar oficialmente o envolvimento direto do governo russo.
Fontes ligadas às investigações, porém, afirmam que autoridades do Reino Unido e da Ucrânia concluíram, de forma reservada, que a Rússia esteve por trás da operação.
A Embaixada da Rússia em Londres negou qualquer participação nos ataques e rejeitou as acusações, afirmando que o país não representa ameaça ao Reino Unido nem ao seu povo.






