A ausência de uma unidade prisional feminina em funcionamento em Cruzeiro do Sul tem gerado dificuldades para detentas e familiares no Vale do Juruá. O caso mais recente envolve Eliane dos Santos, de 43 anos, que está custodiada desde a última sexta-feira (15) na Delegacia Geral do município enquanto aguarda transferência para o Presídio Moacir Prado, em Tarauacá.
Familiares denunciam a demora na remoção da presa e afirmam que ela permanece na delegacia por falta de logística para o transporte. Segundo a sobrinha de Eliane, Yasmin Oliveira, a transferência ainda não ocorreu devido à indisponibilidade de viaturas do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (IAPEN).
A defesa da detenta informou que acionou o Ministério Público e a administração penitenciária solicitando providências. Diante da situação, familiares realizaram uma manifestação em frente à delegacia cobrando uma solução.
O problema ocorre em meio à crise estrutural enfrentada pelo sistema prisional feminino da região. A Unidade Penitenciária Feminina Guimarães Lima, em Cruzeiro do Sul, foi interditada após decisão judicial motivada pelas condições precárias da estrutura do prédio, construído há mais de 50 anos e considerado com risco de colapso.
Desde a interdição, em setembro de 2025, as mulheres privadas de liberdade passaram a ser transferidas para Tarauacá, município localizado a cerca de 220 quilômetros de Cruzeiro do Sul. Parte das detentas recebeu monitoramento eletrônico, enquanto outras foram remanejadas para a unidade penal tarauacaense.
A situação também tem impactado diretamente os familiares das presas, que enfrentam dificuldades financeiras para realizar visitas e entregar mantimentos. Parentes relatam gastos com transporte e hospedagem, além de casos de pessoas que precisam permanecer em rodoviárias para reduzir custos durante os dias de visita.
O assessor da presidência do IAPEN, policial penal Marcelo Tavares, afirmou que a transferência de Eliane deve ser realizada após alinhamento entre as direções das unidades de Cruzeiro do Sul e Tarauacá. No entanto, até o momento, não foi divulgada uma data oficial para a remoção.






