O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem ampliado sua influência dentro do Partido Republicano ao apoiar candidatos alinhados ao seu grupo político e enfraquecer correligionários considerados dissidentes. A estratégia ficou evidente após derrotas recentes de parlamentares críticos ao governo nas eleições primárias do partido.
Entre os casos mais recentes estão o deputado Thomas Massie, do Kentucky, e o senador Bill Cassidy, da Louisiana. Ambos tentavam disputar vagas nas eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro, mas acabaram derrotados por candidatos apoiados por Trump nas prévias republicanas.
Nos Estados Unidos, as primárias funcionam como uma seleção interna dos partidos para definir quem poderá disputar oficialmente as eleições.
Thomas Massie, deputado desde 2012, vinha criticando ações da Casa Branca relacionadas à política externa, especialmente em temas envolvendo Venezuela e Irã. Ele também ganhou destaque ao defender a divulgação de documentos ligados ao caso Jeffrey Epstein.
Além disso, Massie contrariou setores conservadores ligados ao lobby pró-Israel ao votar contra medidas de apoio militar a Israel. Durante a disputa interna, grupos favoráveis ao governo israelense investiram mais de US$ 9 milhões na campanha de seu adversário, Ed Gallrein, ex-integrante da força de elite Navy Seal e apoiado por Trump.
A disputa se tornou a primária para deputado mais cara da história dos Estados Unidos, movimentando mais de US$ 32 milhões em publicidade e campanhas.
Já Bill Cassidy entrou em rota de colisão com Trump após votar favoravelmente à condenação do presidente pelo episódio da invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. O senador também defendeu investigações sobre o caso e chegou a pedir que Trump desistisse da disputa presidencial de 2024 após acusações relacionadas ao armazenamento de documentos confidenciais.
Além das derrotas nas primárias, outros republicanos críticos também vêm sofrendo pressão política. O senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, decidiu se aposentar após desentendimentos com Trump.
Na Geórgia, o secretário de Estado Brad Raffensperger — conhecido por resistir às pressões de Trump para alterar o resultado das eleições de 2020 no estado — também acabou derrotado em disputa interna republicana.
Outro caso citado foi o da ex-deputada Marjorie Taylor Greene, antiga aliada de Trump que passou a divergir do presidente em temas como apoio dos EUA a Israel e divulgação dos arquivos Epstein. Após pressão pública e ameaças recebidas de apoiadores trumpistas, ela deixou o mandato.
As eleições legislativas de novembro são vistas como decisivas para a manutenção da maioria republicana no Congresso americano, especialmente diante da oscilação na popularidade do governo Trump.






