CIA trava guerra secreta contra cartéis no México, revela CNN

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A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) conduz uma ampla operação secreta no México para combater cartéis do narcotráfico, segundo revelou a CNN Internacional nesta terça-feira (12). De acordo com a reportagem, a ofensiva ocorre desde 2025 e inclui ações de inteligência, apoio tático e operações voltadas à eliminação de líderes criminosos e ao desmantelamento das estruturas financeiras e operacionais dos cartéis.

A operação faz parte da estratégia do governo do presidente Donald Trump, que classificou diversas organizações criminosas mexicanas como grupos terroristas estrangeiros. Entre elas estão os cartéis de Sinaloa, Jalisco Nueva Generación e Nueva Familia Michoacana.

Segundo fontes ouvidas pela emissora norte-americana, a atuação da CIA vai além da cooperação tradicional entre agências de segurança. A estratégia teria sido inspirada em operações antiterrorismo realizadas pelos Estados Unidos em outras regiões do mundo e busca destruir completamente as redes de narcotráfico que atuam na fronteira entre México e EUA.

Operações incluem assassinatos de líderes do narcotráfico

Ainda de acordo com a CNN, agentes da CIA participaram de operações que resultaram na morte de importantes chefes do crime organizado mexicano.

Uma das ações citadas foi a operação que terminou com a morte de “El Mencho”, considerado um dos narcotraficantes mais procurados do mundo e líder do Cartel Jalisco Nueva Generación. A participação da agência norte-americana nessa operação já havia sido confirmada anteriormente pelos governos dos Estados Unidos e do México.

A emissora também afirma que a CIA colaborou na ação que matou Francisco Beltrán, conhecido como “El Payín”, no início deste ano. O criminoso morreu após a explosão de seu carro em uma rodovia próxima à Cidade do México, episódio que causou forte repercussão no país.

Morte de agentes expôs atuação da CIA

A existência da operação secreta ganhou ainda mais atenção após a morte de dois agentes norte-americanos em abril deste ano, durante a explosão de um veículo no estado de Chihuahua.

Segundo a CNN, os agentes mortos pertenciam à CIA, informação posteriormente confirmada à emissora. O caso aumentou as suspeitas sobre o nível de envolvimento dos Estados Unidos em operações clandestinas dentro do território mexicano.

O governo do México declarou, na ocasião, que os agentes não tinham autorização oficial para atuar no país, levantando dúvidas sobre a legalidade das ações à luz da Constituição mexicana.

México rejeita operações unilaterais

Após a divulgação da reportagem, o secretário de Segurança do México, Omar García Harfuch, negou qualquer autorização para operações letais ou encobertas conduzidas por agências estrangeiras em território mexicano.

Rejeitamos categoricamente qualquer versão que tente normalizar, justificar ou sugerir operações letais, unilaterais ou clandestinas realizadas por agências estrangeiras em nosso país, afirmou o ministro.

A CIA também reagiu à publicação da CNN. Em nota, a agência classificou a reportagem como “falsa e falaciosa” e acusou a emissora de favorecer a propaganda dos cartéis mexicanos. A agência, no entanto, não apresentou detalhes ou esclarecimentos adicionais sobre as acusações.

Guerra contra os cartéis aumenta tensão entre EUA e México

A revelação da suposta atuação secreta da CIA amplia a tensão diplomática entre Washington e Cidade do México em meio à escalada da violência ligada ao narcotráfico.

Nos últimos anos, os cartéis mexicanos ampliaram sua atuação no tráfico internacional de drogas sintéticas, especialmente o fentanil, substância associada à crise de overdose nos Estados Unidos. O governo Trump passou a tratar os grupos criminosos como ameaça direta à segurança nacional norte-americana, defendendo medidas mais agressivas de combate ao narcotráfico.

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