A chegada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China nesta quarta-feira (13) acontece em um momento de forte mudança na forma como Pequim enxerga o poder americano. O que antes era visto por muitos chineses como símbolo de riqueza, estabilidade e liderança global, hoje é tratado cada vez mais como um império em desgaste.
A visita marca o reencontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, oito anos após a primeira viagem do republicano ao país asiático, em 2017. Na ocasião, Xi recebeu Trump com uma cerimônia grandiosa na Cidade Proibida, destacando a tradição e a história milenar chinesa.
Agora, o cenário é diferente. A China tenta se apresentar ao mundo como uma potência tecnológica e econômica preparada para superar os Estados Unidos. Robôs, carros elétricos, inteligência artificial e drones passaram a ocupar o centro da propaganda chinesa sobre o futuro do país.
China usa crise política americana como propaganda
Segundo analistas e veículos ligados ao governo chinês, o segundo mandato de Trump fortaleceu a narrativa de que o Ocidente está enfraquecendo enquanto o Oriente cresce.
Um relatório publicado por um instituto ligado à Universidade Renmin, em Pequim, chegou a chamar Trump de “acelerador da decadência política americana”. O documento afirma que medidas como tarifas comerciais, conflitos políticos internos, ataques a aliados e políticas anti-imigração acabaram fortalecendo a China de forma indireta.
A expressão “declínio americano” passou a aparecer com mais frequência em discursos e publicações oficiais chinesas ao longo de 2025, segundo pesquisadores da Brookings Institution.
Imagens de caos nos EUA repercutem na China
Nas redes sociais chinesas, cenas de violência política, protestos, operações contra imigrantes e conflitos internos dos Estados Unidos têm sido amplamente divulgadas como exemplo de instabilidade americana.
Para muitos chineses, a imagem dos EUA como modelo de estabilidade e oportunidade começou a perder força.
Um consultor educacional ouvido pelo jornal The New York Times afirmou que famílias chinesas passaram a considerar os Estados Unidos “caóticos demais” para enviar os filhos para estudar. Segundo ele, há dez anos mais de 80% dos alunos buscavam universidades americanas; atualmente, esse número teria caído para cerca de 45%.
Pequim vê oportunidade estratégica no governo Trump
Especialistas chineses avaliam que o estilo mais imprevisível e transacional de Trump pode abrir espaço para acordos mais favoráveis à China.
Analistas ligados a universidades chinesas afirmam que Trump precisa de resultados econômicos rápidos, principalmente com a aproximação das eleições legislativas nos EUA, e que isso pode aumentar a dependência americana de acordos comerciais com Pequim.
Ao mesmo tempo, a guerra no Irã e outras tensões internacionais são vistas pela China como fatores que desviam a atenção militar e diplomática dos Estados Unidos.
Apesar do discurso, China evita confronto direto
Mesmo com o discurso cada vez mais duro sobre o suposto enfraquecimento americano, Pequim ainda demonstra cautela diante dos Estados Unidos.
A China ampliou a pressão sobre Taiwan, aumentou exercícios militares e restringiu exportações estratégicas, como terras raras, em resposta às tarifas americanas. Ainda assim, especialistas apontam que o governo chinês evita um confronto direto com Washington.
Isso ocorre porque a economia chinesa continua dependente do comércio internacional e da estabilidade global para manter seu crescimento.
Analistas avaliam que Xi Jinping enxerga os Estados Unidos atuais de forma ambígua: ao mesmo tempo em que considera o país mais fragilizado politicamente, também o vê como uma potência ainda imprevisível e perigosa.






