O Brasil aparece em um relatório do governo Trump ao lado de China, Venezuela, Coreia do Norte, Colômbia, México e Afeganistão.
O documento, produzido pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e obtido com pelo jornal Metrópoles, lista o país entre os principais fornecedores de substâncias químicas utilizadas na produção de drogas em nível global.
A inclusão não significa que o Brasil produza entorpecentes
O relatório o aponta como fonte de insumos industriais que, embora de uso legal, são desviados para atividades ilícitas.
Por exemplo, produtos como o permanganato de potássio são absolutamente necessários para transformar a pasta base em cocaína
Ao tratar da situação da Bolívia, o documento aponta que “relatórios indicam que a maior parte desses produtos químicos tem origem no Brasil, na Argentina, no Chile e na China.”
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Não é a primeira vez que o Brasil é apontado como fornecedor
Na edição de 2025 do mesmo relatório, o Brasil já havia sido apontado como um dos principais fornecedores. Além disso, o relatório colocou o Brasil como o segundo maior consumidor de cocaína do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Para Washington, o país atua tanto como destino quanto como ponto de trânsito do tráfico internacional, por conta de sua localização fronteiriça com três dos maiores produtores de cocaína do mundo.
O relatório também destaca o PCC como principal ameaça, presente em 22 dos 27 estados brasileiros e em 16 países ao redor do mundo.
Em documento complementar, o Departamento de Estado lista métodos de lavagem de dinheiro do tráfico no Brasil, incluindo contas fantasmas, compra e venda de imóveis, aplicações em paraísos fiscais, plataformas de apostas online e criptomoedas.
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EUA usam o relatório para acompanhar a situação do Narcotráfico no mundo
O documento é um dos principais instrumentos usados por Washington para avaliar como cada país enfrenta o narcotráfico e a lavagem de dinheiro.
Ele analisa legislações, atuação de autoridades, eficiência do Judiciário e grau de cooperação internacional.
Ele orienta decisões de política externa dos Estados Unidos, influenciando acordos bilaterais, parcerias de segurança e medidas de pressão diplomática. Estar na lista não é um bom sinal para países que buscam acordos com Washington.
Brasil e EUA não chegaram a um consenso sobre facções
A inclusão do Brasil ocorre em um momento de crescente pressão americana sobre o país no tema do crime organizado.
Nos últimos meses, Washington comunicou ao governo brasileiro que caminha para classificar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas estrangeiras.
A medida permitiria o congelamento de ativos e bloquearia o acesso das facções ao sistema bancário global.
O governo Lula resiste à classificação, argumentando que o enfrentamento ao crime deve se dar pela cooperação policial, não pela elevação do tema ao nível de ameaça à segurança nacional.
A preocupação do Planalto é que a medida abra precedentes para intervenções externas que afetem a soberania e a economia do país.
As origens do problema
O avanço das facções brasileiras ao radar de Washington mostra a que ponto o problema da segurança pública no país chegou
Por ser esse um assunto que atinge todas as esferas do poder e a vida do cidadão comum, a Brasil Paralelo preparou a maior investigação sobre o tema já feita no Brasil.
Entre Lobos é o primeiro documentário a abordar o crime a partir da perspectiva da vítima. A investigação buscou entender as verdadeiras causas da criminalidade e as raízes do maior problema do país.
Por: Brasil Paralelo






