O Departamento Técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac) divulgou o Boletim Técnico de Grãos do Acre de Março. No geral, os dados são positivos quando se observa a produtividade ou a estabilidade do preço da saca de soja ou milho, praticado na Capital, comparado ao mês de fevereiro. Mas acende um sinal de alerta quanto à rentabilidade.
A produtividade do milho é um ponto de destaque. O aumento é de 55,8%. O milho de primeira safra teve produtividade de 2.831 Kg por hectare. O salto foi significativo para o milho da segunda safra. Passou para 4.412 Kg por hectare. O aumento na produtividade é um dos principais referenciais para a agricultura. Essa diferença aconteceu, mesmo com o que a Faeac chamou de “explosão dos custos de insumos”, com destaque para ureia (40%); glifosato (108,3%) e imidacloprido (134,6%).
“O desnivelamento entre as duas safras acontece pelo número de produtores e porque a segunda safra é, principalmente, feita por produtores de grande porte. São produtores que utilizam muita tecnologia, adotam espaçamentos mais adequados em áreas já consolidadas para plantio”, diferencia Luan Victor Araújo de Morais, analista da Área Vegetal da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre.
O primeiro bimestre de 2026 registrou aumento na produção. “A safra é composta por 86,8 mil toneladas de milho 1ª safra; 59,7 mil toneladas de soja e 50,8 mil toneladas de milho 2ª safra, garantindo o abastecimento interno e reforçando a expansão da fronteira agrícola na região da Amacro”, pontua o boletim, referindo-se aos estados do Amazonas, Acre e Rondônia.
Aumento de custos de insumos e logística são gargalos
O aumento no custos de insumos (com destaque para a ureia, glifosato e imidacloprido) e os problemas relacionados aos escoamento da safra e à armazenagem dos grãos colocam a rentabilidade do produtor acreano em desvantagem, comparado ao contexto do produtor mato grossense, por exemplo.
Com melhor infraestrutura e custos mais baixos de insumos, as vantagens comparativas para quem produz no Centro-oeste torna menos atraente a produção no Acre. E o boletim registra esse cenário.
“Apesar do aumento da produção, o produtor acreano enfrenta forte concorrência do milho do Centro-Oeste, especialmente do Mato Grosso, que opera com menor custo e maior escala, limitando os preços no estado”, compara o Departamento Técnico da Faeac.
No primeiro bimestre, exportações de milho caem e de soja disparam
Comparando o primeiro bimestre de 2026 ao mesmo período do ano passado, as exportações de milho tiveram uma diminuição de 42,8%. Ano passado, foram exportadas 711,5 toneladas de milho em janeiro e fevereiro. Este ano, o número foi mais modesto: 498 toneladas.
Já as exportações de soja dispararam no mesmo período. Saíram de 333,4 toneladas ano passado para 1.665,4 toneladas agora em 2026. Um crescimento de 399,52%. “O crescimento da produção reforça a necessidade urgente de ampliação da capacidade de armazenagem e melhoria dos corredores de escoamento”, alerta o boletim.
O Departamento Técnico da Faeac tem como referência os dados do IBGE, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e do sistema Comex Stat, do Governo Federal.
Por Ac24Agro






