Decisão em Pipeline, fim do round de repescagem e etapa inédita: veja novidades da WSL em 2026

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Nas últimas 11 temporadas, o Brasil foi campeão mundial oito vezes. O domínio completo da World Surf League tem nome e sobrenome: Brazilian Storm. Os melhores surfistas do mundo são brasileiros e, a partir desta terça-feira, eles darão início a mais uma campanha em busca do nono troféu. Com abertura em Bells Beach, o calendário se encerra na icônica e desafiadora Pipeline, uma das ondas mais cobiçadas e perigosas do circuito. O título será decidido por pontos corridos ao longo de 12 etapas até dezembro, sem a presença do round de repescagem. Essas e outras mudanças marcam os 50 anos de surfe profissional.

– Esse novo regulamento a gente pode dizer que é uma mistura do que a gente já tinha no passado, com algumas mudanças que foram implementadas nesses últimos 5 anos e novidades que prometem deixar tudo mais emocionante desde a primeira fase. A pressão sobre os surfistas vai aumentar com todas as baterias sendo eliminatórias. Por outro lado, eles vão voltar a descartar os 2 piores resultados na temporada. De um modo geral, acredito que essas mudanças foram positivas, principalmente pela volta dos pontos corridos e da grande final em Pipeline – disse Breno Dines, comentarista de surfe da Globo.

De 2021 até o ano passado, o campeão do mundo era decidido em um único dia. O Finals, disputado em Trestles e também em Fiji, reunia os cinco melhores do ranking masculino e feminino. Quem vencia as baterias ficava com o troféu.

Nesta temporada, a WSL volta ao formato antigo, adotado até 2019, para definir o campeão. A partir de 31 de março, com a etapa de abertura em Bells Beach, na Austrália, o surfista que somar mais pontos ao longo das 12 paradas ao redor do mundo será coroado campeão mundial. Veja todas as novidades da WSL em 2026.

Final da temporada volta a ser em Pipeline

Sem contar com essas últimas cinco temporadas, o Circuito Mundial de Surfe sempre terminou na famosa Pipeline. O campeão mundial era coroado no Havaí, meca do surfe internacional, até 2019. A partir de 2026, o troféu volta a ser entregue nas ondas havaianas. O Pipe Masters agora distribuirá 15.000 pontos, diferentemente dos 10.000 pontos padrões em etapas de CT.

– A volta de Pipe como palco da grande final foi a melhor notícia que a gente poderia ter para essa temporada. É a onda que exige o máximo de um surfista. Tanto na parte técnica quanto mental. E essa novidade de ela ter um peso maior do que todas as outras etapas acho mais do que justa. Não só por tudo que envolve ser campeão nessa onda, mas também por aumentar as chances de o campeão mundial só ser coroado no Havaí – afirmou Breno Dines.

Etapa inédita no circuito

Alguns surfistas “goofies” – que usam o pé direito na frente da prancha – reclamavam com frequência que o circuito priorizava ondas para a direita, favorecendo os atletas de base “regular”, que ficam com o pé esquerdo à frente. Diante disso, a WSL promoveu uma mudança no calendário: a etapa de Jeffreys Bay, na África do Sul, foi substituída por Raglan, na Nova Zelândia , que é conhecida por suas ondas para a esquerda. A parada neozelandesa será a quarta da temporada, disputada na sequência de Gold Coast. Confira todas as etapas.

  1. Bells Beach (AUS) – 31 de março a 10 de abril
  2. Margaret River (AUS) – 15 a 25 de abril
  3. Gold Cost (AUS) – 30 de abril a 10 de maio
  4. Raglan (NZL) – 15 de maio a 25 de maio
  5. El Salvador – 5 a 15 de junho
  6. Saquarema (BRA) – 19 a 27 de junho
  7. Teahupoo (Taiti) – 8 a 18 de agosto
  8. Fiji – 25 de agosto a 4 de setembro
  9. Trestles (EUA) – 11 a 20 de setembro
  10. Abu Dhabi – 14 a 18 de outubro
  11. Portugal – 22 de setembro 1 de novembro
  12. Pipeline (HAV) – 8 a 20 de dezembro
Nova Zelândia entrou no calendário da WSL — Foto: Cory Scott/WSL

Nova Zelândia entrou no calendário da WSL — Foto: Cory Scott/WSL

Entenda o novo formato

No novo CT, nove eventos da chamada temporada regular serão realizados antes que os 36 homens e 24 mulheres sejam reduzidos. Após a linha de corte, 24 homens e 16 mulheres disputarão os dois eventos finais da “pós-temporada”. Os surfistas levarão apenas seus melhores sete de nove resultados da temporada regular para a próxima fase. O título mundial será determinado pelos nove melhores resultados de cada surfista entre 12 etapas (sete etapas regulares + duas da pós-temporada).

A reta final do Tour incluirá dois eventos Abu Dhabi e Peniche como os dois eventos de pós-temporada, seguidos pelo Pipe Masters. Os oito melhores homens e mulheres que disputarem Pipeline ganharão a vantagem competitiva de uma classificação mais ampla no seeding. Todos os surfistas masculinos e femininos do CT do início da temporada 2026 se juntarão aos competidores da pós-temporada para competir no evento final da temporada.

Fim do round de repescagem

Além da nova etapa e a final em Pipeline, outra grande mudança do circuito no formato das baterias durante as etapas. Não existirá mais uma “segunda chance” para os surfistas. Com o fim do round de repescagem, quem perder será eliminado do evento.

– Sei que muitos surfistas não aprovaram essa mudança, mas acredito que isso vai melhorar a dinâmica de um campeonato e deixar todos os confrontos ainda mais interessantes para quem está assistindo. É uma novidade que vai trazer uma pressão ainda maior para os competidores, principalmente em um esporte que você depende tanto da natureza. Por outro lado, com a necessidade de um dia menos de disputas para encerrar o campeonato, a organização do evento vai poder selecionar ainda mais os melhores dias de onda dentro da janela – completou Breno Dines.

Filipe Toledo consegue se manter no tubo, tira 6.83 e lidera a bateria em Teahupo'o

Resumo das principais mudanças no CT

  • Pipeline volta a ser a final do Circuito Mundial sem uma etapa no formato Finals (mata-mata);
  • Número de mulheres aumenta de 18 para 24 surfistas;
  • Da primeira até a nona etapa, o circuito terá 36 homens e 24 mulheres
  • As etapas não terão mais fases de repescagem;
  • No ranking, os surfistas descartam dois dos nove resultados;
  • A 10ª e 11ª etapas serão disputadas apenas pelo 24 primeiros do masculino e 16 do feminino;
  • A 12ª e decisiva etapa será em Pipeline, com todos os surfistas, e distribuirá 15.000 pontos – um evento padrão do CT dá 10.000 pontos.

Por Globo Esporte

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