As longas filas registradas nos últimos dias em frente à Caixa Econômica Federal de Cruzeiro do Sul voltaram a chamar atenção da população e reacenderam um antigo questionamento: por que a região ainda conta com apenas uma agência para atender toda a demanda do Vale do Juruá?
Ao longo da semana, moradores enfrentaram horas de espera do lado de fora da unidade, muitos chegando ainda na madrugada em busca de atendimento. A situação se agrava especialmente no fim do mês com a ampliação de programas sociais. O aumento recente no fluxo de pessoas está relacionado às novas inscrições no programa Pé-de-Meia, pois, vêm o responsável e o estudante, então acaba dobrando o número de pessoas, além disso, beneficiários de programas federais também contribuem para o movimento intenso.
A dona de casa Jamile Araújo, moradora de Ipixuna, saiu do município vizinho ainda de madrugada para tentar resolver uma pendência. “Eu vim atualizar o Caixa Tem. Lá em Ipixuna está muito difícil, são poucas fichas e muita gente. A gente pega ficha num dia pra ser atendido dias depois. Mesmo com essa fila aqui, ainda é mais fácil do que lá”, relatou. Ela chegou por volta das 6h e não sabia quanto tempo ainda precisaria esperar. “Fica difícil, principalmente pra quem tem criança pequena. Eu tive que deixar minha filha em casa, e ela ainda amamenta”, desabafou.
O aposentado seu Manuel, de 57 anos, também enfrentou a fila logo cedo. “Cheguei seis e meia. Tem dia que é mais tranquilo, mas tem época que lota, como na pesca ou no fim do mês. A gente sabe que não é bom esperar, mas é a realidade”, afirmou. Para ele, a cidade já deveria contar com mais de uma agência. “Merecia mais de uma, até duas. É muita gente pra pouco atendimento”, disse.
A professora e gestora Sebastiana Nascimento Silva chegou às 7h e já previa uma longa espera. “Pelo tamanho da fila, acredito que só serei atendida por volta de uma da tarde. Sempre que a gente precisa, é assim, principalmente no fim do mês”, contou. Ela critica a situação e diz que isso impacta diretamente na rotina de trabalho. “A gente perde um turno inteiro. Eu mesma não traria meu pagamento para a Caixa por conta disso. É muito desgastante”, afirmou.
Sebastiana também defende mudanças na organização do atendimento. “A Caixa poderia criar um calendário ou alguma estratégia para diminuir essas filas. Fica muito complicado pra população”, sugeriu. Sobre a necessidade de expansão, ela foi direta: “Com certeza já deveria ter outra agência. Aqui atende todo o Vale do Juruá e até municípios de fora do estado. Já passou da hora de ampliar”.
Atualmente, a unidade de Cruzeiro do Sul concentra a maior parte dos atendimentos da região. Apenas o município de Marechal Thaumaturgo conta com estrutura mais independente, enquanto cidades como Rodrigues Alves e outras ainda dependem, em diferentes níveis, da agência principal. A combinação de alta demanda, poucos pontos de atendimento e crescimento dos programas sociais tem pressionado o sistema e gerado insatisfação entre os usuários.






