Pescadores do Juruá comemoram decisão judicial e se mobilizam por retomada de carteiras em Cruzeiro do Sul

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Na manhã desta sexta-feira (20), dezenas de pescadores se reuniram em Cruzeiro do Sul para discutir a situação das carteiras da categoria, após uma decisão liminar favorável que reacendeu a esperança de retomada dos registros suspensos. O encontro reuniu trabalhadores afetados e lideranças, que acompanham de perto a luta pela garantia dos direitos da classe.

De acordo com Luiz Silva Costa, presidente do sindicato dos pescadores artesanais do município, a entidade tem atuado diretamente na busca por soluções para os profissionais prejudicados. Ele destacou que, diante do cancelamento dos registros, o sindicato buscou apoio jurídico para tentar reverter a situação. “A gente travou uma batalha grande e, graças a Deus, já tivemos a primeira vitória. Acreditamos que em breve tudo vai ser resolvido”, afirmou.

Entre os pescadores impactados está José Ferreira, que carrega a tradição da pesca herdada da família, iniciada ainda com seu pai, natural de Ipixuna (AM). Morando há anos no Acre, ele relata que foi surpreendido com a suspensão da carteira, o que afetou diretamente sua renda. “Pra gente que vive da pesca, o seguro defeso sempre ajudou muito. Ficamos tristes quando recebemos a notícia da suspensão”, contou. Segundo ele, em anos anteriores, neste período já estaria recebendo a última parcela do benefício, o que não ocorreu este ano. Ainda assim, com a decisão judicial recente, ele demonstra esperança de regularizar novamente a situação.

O advogado Itamar Silva, que acompanha o caso, explicou que o problema teve início após a publicação de portarias que suspenderam e posteriormente cancelaram registros de pescadores em todo o país, atingindo também trabalhadores de Cruzeiro do Sul. Segundo ele, a medida gerou insegurança na categoria, levando à busca por solução na Justiça. “Entendemos que havia ilegalidade e entramos com a ação. Conseguimos uma decisão liminar que determina o retorno das carteiras ao sistema, como estavam anteriormente”, destacou.

Ainda conforme o advogado, cerca de 60 pescadores já foram beneficiados pela decisão, número significativo diante das aproximadamente 125 carteiras canceladas no município. Apesar disso, ele reforça que a luta ainda continua até a regularização definitiva. “Essa decisão já trouxe alívio e esperança, mas ainda há um caminho a ser percorrido”, afirmou.

O profissional também orienta que pescadores que ainda não buscaram apoio jurídico podem recorrer à Justiça para tentar reverter o cancelamento. Segundo ele, é fundamental procurar um advogado de confiança ou entidades representativas da categoria para garantir o acesso aos direitos.

A reunião desta sexta-feira evidenciou não apenas a preocupação dos pescadores, mas também a mobilização coletiva em torno de uma causa que envolve sustento, tradição e dignidade para dezenas de famílias que dependem diretamente da pesca artesanal na região do Juruá.

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