Irã confirma morte de Ali Larijani, influente chefe de segurança morto em ataque de Israel

spot_img

A mídia estatal iraniana confirmou nesta terça-feira (17/3) a morte de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional (CSSN) do Irã.

Larijani era uma das figuras políticas mais experientes e influentes do país. Ele não era um comandante militar, mas ocupava uma posição central na tomada de decisões relativas à guerra, diplomacia e segurança nacional.

Em comunicado durante a noite, o escritório administrativo do CSSN informou que Larijani foi “martirizado junto com seu filho Morteza, Alireza Bayat (vice do setor de segurança do CSSN) e vários guarda-costas” durante a madrugada.

Mais cedo, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, havia informado que Larijani tinha sido morto após ataques israelenses atingirem seu esconderijo durante a madrugada. O Irã, contudo, ainda não tinha confirmado.

À tarde, veículos de imprensa do Irã e as contas de Ali Larijani no Telegram e no X publicaram uma mensagem manuscrita sem data e hora.

O texto que havia sido atribuído pela imprensa iraniana a Larijani elogiava os “guerreiros” da Marinha da República Islâmica do Irã no dia em que é realizado o funeral dos mortos no naufrágio do navio de guerra IRIS Dena no início deste mês, após um ataque americano.

Ao anunciarem a morte de Larijani, as Forças de Defesa de Israel (IDF) o descreveram como “uma das figuras mais importantes e influentes da liderança do regime iraniano”.

“O presidente dos EUA, [Donald] Trump, falou sobre a alta rotatividade da liderança iraniana… nós vamos atualizá-lo de que essa alta rotatividade continua e está até aumentando após o assassinato de dois dos líderes mais importantes que ainda estavam no poder”, disse o ministro da Defesa de Israel.

As forças israelenses também mataram o principal oficial de segurança e comandante do grupo paramilitar iraniano Basij, Gholamreza Soleimani.

O chefe do Exército iraniano, Amir Hatami, ameaçou lançar uma retaliação “decisiva” pela morte de Larijani.

“No momento e local apropriados, será dada uma resposta decisiva, dissuasiva e que causará arrependimento à criminosa América e ao regime sionista sanguinário”, afirmou Hatami em comunicado.

Ele acrescentou que a morte do chefe de segurança e de outros “mártires serão vingadas”.

Ali Larijani
Legenda da foto,Larijani atuou como presidente do Parlamento iraniano por 12 anos, de maio de 2008 a maio de 2020

A última vez que Ali Larijani foi visto em público foi na marcha do Dia de Quds em Teerã, em 13 de março, segundo sua conta no X, que o mostrava na rua acenando e conversando com apoiadores.

Um dia antes, ele provocou o presidente americano nas redes sociais, publicando no X que “Trump diz que busca uma vitória rápida. Embora começar uma guerra seja fácil, ela não pode ser vencida com alguns tuítes”.

“Não vamos desistir até que você se arrependa desse grave erro de cálculo.”

Em outra publicação, em 10 de março, Larijani disse que o Irã não temia as “ameaças” de Trump, acrescentando que “nem mesmo aqueles maiores que você conseguiram eliminar a nação iraniana”.

“Cuidado para que você não seja eliminado”, escreveu.

Quem era Ali Larijani

Ali Larijani nasceu em 1957 na cidade de Najaf, no Iraque, para onde sua família havia se exilado no início da década de 1930, após fugir do Irã devido à pressão do então governante Reza Pahlavi.

A família retornou ao Irã em 1961.

Ele estudou matemática e, posteriormente, obteve um mestrado e um doutorado em filosofia ocidental pela Universidade de Teerã.

Larijani ingressou na Guarda Revolucionária Iraniana no início da década de 1980, após trabalhar brevemente como supervisor no canal de televisão oficial iraniano, e ascendeu ao cargo de Vice-Chefe do Estado-Maior Conjunto.

Enquanto servia na Guarda Revolucionária, participou da Guerra Irã-Iraque (1980-1988).

A partir da década de 1990, sob a liderança de Ali Khamenei, Larijani direcionou sua carreira para a política e a cultura, consolidando-se como uma figura de destaque no setor conservador do Irã.

Em 1992, foi nomeado Ministro da Cultura e Orientação Islâmica, substituindo o futuro presidente, Mohammad Khatami.

Dois anos depois, assumiu a direção da emissora estatal, onde desempenhou um papel fundamental na disseminação da ideologia oficial.

Em 1996, Khamenei o nomeou seu representante no Conselho Supremo de Segurança Nacional, cargo que manteve em 1999.

Em 2004, retornou à chefia da televisão estatal e promoveu a criação de canais em língua árabe, como Al-Alam e Sahar.

Contudo, deixou o cargo alguns meses depois para concorrer às eleições presidenciais de 2005, nas quais ficou em sexto lugar.

No mesmo ano, foi nomeado para liderar as negociações com a União Europeia sobre o programa nuclear iraniano, função que desempenhou até sua renúncia em 2007, alegando motivos pessoais.

Ali Larinaji

Em 2008, Larijani ingressou no Parlamento, onde foi eleito presidente, cargo para o qual foi reeleito diversas vezes e que ocupou por 12 anos, até 2020.

Durante esse período, sua influência institucional consolidou-se com sucessivas nomeações para o Conselho de Discernimento, que é responsável por mediar as disputas entre os órgãos do governo

Após deixar a presidência do Parlamento, foi nomeado conselheiro do líder supremo.

Tentou retornar à cena política como candidato nas eleições presidenciais de 2021, mas sua candidatura foi vetada pelo Conselho dos Guardiães, que o rejeitou novamente em 2024.

Em agosto de 2025, Lirajani pelo presidente Masoud Pezeshkian como secretário do CSSN e como representante de Ali Khamenei junto ao conselho.

Sua voz tinha peso em todo o sistema, particularmente na gestão do confronto do Irã com os Estados Unidos e Israel.

Após o assassinato de Khamenei em 28 de fevereiro, Larijani adotou um tom desafiador, indicando que o Irã estava preparado para um conflito prolongado.

Apesar de sua postura intransigente contra o Ocidente, ele era frequentemente descrito no Irã como um pragmático.

Larijani combinava lealdade ideológica com uma abordagem tecnocrática, priorizando a estratégia calculada em detrimento da retórica.

Ele permaneceu profundamente cético em relação à reaproximação com as potências ocidentais, mas também participou de importantes iniciativas diplomáticas, incluindo seu papel como enviado no acordo de cooperação de longo prazo do Irã com a China.

A influente família Larijani

O nome de Ali Larijani e de outros membros de sua família tem sido frequentemente mencionado nos círculos de poder iranianos há anos, devido aos altos cargos que ocuparam no sistema político iraniano.

Seu pai, Mirza Hashemi Amoli, era um renomado acadêmico e clérigo do Seminário de Qom, o mais prestigioso do país.

Ali Larijani era um de cinco irmãos, todos os quais trabalharam em importantes instituições estatais iranianas.

Entre eles está Sadeq Larijani, o atual chefe do Conselho de Discernimento da Conveniência do Poder, um órgão consultivo sobre assuntos de governança. Ele já atuou como presidente da Suprema Corte do Irã.

A mídia ocidental comparou a família Larijani à família Kennedy, dos EUA.

Por: BBC

spot_img

Notícias relacionadas:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS