O recente aumento no preço dos combustíveis tem gerado preocupação entre motoristas e trabalhadores que dependem do abastecimento diário para garantir renda no Acre. Apesar da pressão nos custos, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Acre (Sindepac) informou que não há risco de desabastecimento no estado, mesmo diante das incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio.
Para quem trabalha nas ruas, qualquer reajuste impacta diretamente no bolso. O motorista Deusimar da Silva Vieira, que atua há cerca de um ano na profissão, relatou que a alta da gasolina torna o trabalho mais difícil. Segundo ele, quando o combustível estava mais barato a rotina era menos pesada.
“Quando a gasolina é mais barata, é melhor trabalhar. Quando ela aumenta, fica mais pesado para nós. Se aumenta vinte centavos, não tem como repassar para a passagem. A gente acaba ficando com prejuízo”, afirmou. Ele acrescenta que a situação exige resistência para continuar trabalhando. “Fica mais difícil, mas é aguentar assim mesmo, porque é disso que a gente vive”, disse.
No setor de revenda, os empresários também afirmam sentir o impacto das mudanças no mercado internacional. O gerente de uma rede de postos de combustíveis, Arenilson Paixão, explicou que o reajuste acompanha a alta do petróleo no cenário global.

Segundo ele, o aumento já vinha sendo esperado devido às tensões geopolíticas. “Essa situação foi noticiada na imprensa nacional. A guerra no Oriente Médio acabou refletindo no mercado internacional e isso impacta diretamente no preço do combustível”, explicou.
Arenilson destacou que o valor do barril de petróleo subiu significativamente nas últimas semanas. “O barril que estava em torno de 70 dólares passou para 84 e chegou a cerca de 120 dólares. Isso acaba gerando impacto no preço final”, afirmou.
De acordo com o gerente, a distribuidora repassou o reajuste aos postos, que tentaram segurar o aumento por alguns dias antes de aplicá-lo nas bombas. “A gente ainda segurou por cerca de uma semana antes de repassar ao consumidor, mas infelizmente não tem como absorver um impacto tão grande”, explicou.
Ele informou que o reajuste médio foi de cerca de 20 centavos na gasolina e no diesel comum, enquanto o diesel S10 teve aumento mais significativo. “No diesel S10, o aumento chegou a cerca de 70 centavos para nós, e foi esse valor que acabou sendo repassado”, disse.
Arenilson também ressaltou que o cenário ainda é incerto e que o mercado depende do desenrolar da situação internacional. “Hoje está muito incerto. Tudo depende de como essa guerra vai evoluir. Existe expectativa de que a liberação de reservas internacionais de petróleo possa ajudar a estabilizar os preços, mas ainda é apenas uma expectativa”, pontuou.
Entre os trabalhadores que dependem diretamente do combustível, o sentimento é de indignação. O mototaxista Cláudio André da Silva Mota, que trabalha desde 2012, afirmou que o aumento afeta toda a cadeia de consumo.

“Quando aumenta o combustível, aumenta o gás de cozinha, aumenta a cesta básica e o salário mínimo continua o mesmo”, criticou. Para ele, a população trabalhadora acaba sendo a mais prejudicada. “Nós trabalhamos sol a sol para tentar levar o sustento para casa e, muitas vezes, não encontramos solução porque o dinheiro não circula suficiente no mercado”, afirmou.
Cláudio também destacou que os custos acabam recaindo sobre quem presta serviços diariamente. “Na realidade, esse prejuízo nunca fica para quem vende. Ele acaba ficando para quem trabalha e também para os clientes, porque no final das contas alguém precisa pagar essa conta”, declarou.
Apesar da preocupação, o Sindepac esclareceu que não existe falta de combustíveis no Acre. Segundo o sindicato, as distribuidoras que operam a partir das bases instaladas em Rio Branco garantiram que o fornecimento segue normalmente.
O que ocorre, de acordo com a entidade, é apenas uma adequação nos pedidos feitos pelos postos, para evitar compras em excesso que possam comprometer o atendimento de outros estabelecimentos.
O sindicato informou ainda que as distribuidoras estão priorizando o carregamento para postos vinculados a bandeiras específicas, enquanto os chamados postos “bandeira branca”, que não possuem contrato exclusivo com uma marca, podem enfrentar limitações temporárias nos pedidos.
Essa reorganização pode provocar atrasos pontuais nas entregas, principalmente quando os pedidos são feitos fora do prazo habitual, mas não representa risco de falta de combustível.
O presidente do Sindepac, Delano Lima, reforçou o pedido de tranquilidade à população e ao setor empresarial. Segundo ele, não há qualquer indicativo de desabastecimento de combustíveis no Acre neste momento.






