Acre está entre os estados com maiores índices de violência política do Brasil, aponta estudo da USP

spot_img

O Acre figura entre os estados brasileiros com os maiores índices de violência política nas últimas duas décadas, segundo estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). A pesquisa analisou ocorrências registradas entre os anos de 2003 e 2023 em todo o país.

rio-acre-supera-cota-de-inundacao-em-rio-branco,-mas-deve-baixar
Rio Acre supera cota de inundação em Rio Branco, mas deve baixar

De acordo com o levantamento, o estado apresentou uma taxa de 16,2 casos de violência política por 1 milhão de eleitores, posicionando-se entre os maiores índices nacionais. Quando considerados exclusivamente os episódios direcionados a políticos, o Acre ocupa a segunda colocação no ranking brasileiro. O estudo contabilizou casos de assassinatos, tentativas de homicídio e ameaças graves de morte envolvendo políticos em exercício, candidatos, ex-ocupantes de cargos públicos e ativistas.

No cenário nacional, a pesquisa aponta que 47% das ocorrências estão relacionadas a disputas por cargos eletivos, poder político e acesso a recursos públicos. A violência política concentra-se, principalmente, no âmbito municipal, onde ocorrem as disputas mais intensas e onde há maior controle direto sobre cargos, contratos e orçamentos públicos — realidade que também se reflete nos estados com maiores índices proporcionais, como o Acre.

Os dados foram obtidos a partir de uma análise automatizada de reportagens publicadas na imprensa brasileira ao longo de 20 anos, posteriormente revisadas e validadas pelos pesquisadores. Segundo os responsáveis pelo estudo, a maior incidência de casos na política local está diretamente ligada à proximidade entre os atores políticos e aos conflitos gerados pela gestão de recursos públicos nos municípios.

O levantamento integra um banco de dados nacional que identificou 1.228 vítimas de violência política no Brasil, incluindo mortes consumadas, tentativas de assassinato e ameaças graves. Os números reforçam que o fenômeno segue relevante e preocupante no cenário político brasileiro, com destaque para estados da região Norte, como o Acre.

spot_img

Notícias relacionadas:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS