Fortalecimento e Autonomia: OPIGE Inaugura Novo Escritório e Impulsiona Gestão Territorial no Juruá

spot_img

A região do Juruá vive um momento histórico para as populações originárias. Com foco na gestão estratégica e na busca pela soberania alimentar, a Organização dos Povos Indígenas do Juruá (OPIRJ) celebrou avanços significativos na execução de seus projetos e a inauguração de uma nova sede em Cruzeiro do Sul. Mais do que uma estrutura física, o novo escritório simboliza um “momento novo” de fortalecimento e busca por autonomia para as comunidades locais.

Para Francisco Pianco, coordenador da organização, o trabalho desenvolvido vai além da assistência técnica; trata-se de garantir dignidade dentro das próprias terras. “São lugares muito bonitos e ricos, mas muitas vezes não estão bem planejados, e aí começam a vir os problemas”, reflete Pianco. Ele ressalta que a estratégia da OPIRJ é garantir qualidade de vida através da gestão própria dos territórios: “Estamos fazendo um movimento para que se junte o apoio de fora, mas com a gestão do próprio território”. Atualmente, a organização avalia a execução de um grande programa em parceria com o Fundo Amazônia, focando no cumprimento de cronogramas e na medição dos impactos reais junto aos povos.

A humanização desse processo é visível no depoimento de Julia Manim, do povo Yawanawa, que reside na Terra Indígena Rio Gregório. Ela esclarece que a OPIRJ não apenas “aplica projetos”, mas atua como uma parceira das iniciativas que as comunidades já possuem. “A OPIRJ é uma ferramenta para levar as necessidades reais que nós temos. Nós já temos o nosso projeto de vida, nossa visão de futuro”, afirma Julia.

Para Julia, o conceito de saúde está intrinsecamente ligado à terra e ao que ela produz. “Quando eu falo de saúde, eu estou falando de alimentação. Quando você tem alimentação, você tem espiritualidade, tem firmeza de quem você é e prazer de viver naquele território”, explica. O desafio atual é a diversificação: embora mantenham os cultivos tradicionais como milho, banana e mandioca, o objetivo agora é expandir para a criação de peixes e pequenos animais para suprir a escassez causada pelo aumento populacional.

A importância da OPIRJ também é referendada por lideranças históricas, como Birassi Brasil Yawanawa, um dos fundadores do movimento indígena no Acre e no Brasil. Para ele, a atuação da organização é a realização de um sonho que resgata a autoestima das lideranças do passado e do presente.

Birassi enfatiza que a preservação cultural não é incompatível com o desenvolvimento econômico e o uso da tecnologia. “Hoje, os territórios indígenas têm um potencial econômico mais do que qualquer megacompanhia global, mas a realidade indígena ainda é triste”, pondera a liderança. Ele defende que a parceria com a OPIRJ busca integrar os povos à sociedade com igualdade e respeito, utilizando recursos naturais e ciência para gerar renda sem perder a identidade. “Isso não influencia nossa cultura; pelo contrário, só vem a somar para trazer dignidade e um meio financeiro para sustentar nossas necessidades”, conclui Birassi.

Francisco Pianco
Birassi Brasil Yawanawa

spot_img

Notícias relacionadas:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS