O combate à monilíase, doença que atinge gravemente culturas como o cupuaçu e o cacau, ganhou um importante reforço no início deste ano. O Ministério da Agricultura celebrou um convênio com o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (IDAF), garantindo a liberação de aproximadamente R$ 2 milhões para a aquisição de equipamentos e fortalecimento das ações de controle no estado do Acre.

De acordo com a engenheira agrônoma Maísa Bravin, coordenadora das ações de combate à monilíase na região, o investimento demonstra a relevância do problema em nível nacional. “Não é apenas o IDAF que tem interesse em controlar essa doença. O governo federal também reconhece a gravidade da situação e destinou um recurso considerável para que possamos gerenciar e intensificar o controle aqui no Vale do Juruá”, destacou.
Desde 2021, o IDAF é o órgão responsável pelo enfrentamento da monilíase no Acre. O primeiro registro da doença no Brasil ocorreu em Cruzeiro do Sul, o que levou à implantação de uma série de medidas para evitar a disseminação para áreas produtivas e outros municípios. Nesta semana, uma força-tarefa foi iniciada, reunindo equipes de diferentes municípios para reforçar as ações na região.
As atividades estão concentradas em quatro frentes principais. A primeira é o monitoramento, realizado em áreas onde a doença ainda não foi identificada, com o objetivo de prevenir novos focos. A segunda frente é a manutenção da barreira fitossanitária no rio Liberdade, na divisa entre Cruzeiro do Sul e Tarauacá, onde veículos são abordados para impedir o transporte irregular de frutos de cupuaçu e amêndoas de cacau, prática proibida por lei.
A terceira frente envolve ações de educação sanitária, com entrevistas, blitz educativas em mercados e orientações à população sobre como identificar a doença. Já a quarta frente é a poda fitossanitária, técnica utilizada para eliminar focos da monilíase nas áreas onde ela ainda é detectada.
Segundo Maísa Bravin, a monilíase é uma doença de difícil identificação nos estágios iniciais, pois começa internamente no fruto. Com o avanço, surge um pó branco denso na casca, sinal característico da praga. Ao identificar frutos com essas características, a orientação é que o produtor ou morador entre em contato com o IDAF de seu município para que técnicos realizem a coleta e confirmação do diagnóstico.
Em Cruzeiro do Sul, os focos se concentram principalmente na área urbana, enquanto na zona rural os registros são considerados baixos, resultado das ações de controle. Em Rodrigues Alves, a doença foi erradicada em 100%, e equipes estão em campo nesta semana para confirmar a ausência de novos casos. O IDAF também atua em Mâncio Lima, reforçando o monitoramento e a prevenção.
“A participação da população é fundamental. Nosso objetivo não é eliminar plantações, mas controlar uma praga que pode comprometer totalmente a produção e até a disponibilidade da polpa de cupuaçu”, alertou a coordenadora. Estudos indicam que, sem controle, a monilíase pode destruir toda a produção de uma planta em poucos anos, reforçando a importância das ações em andamento no Vale do Juruá.





